Black Sonora

por Diane Mazzoni e Bruno Grossi

Nada melhor do que boa música para romper fronteiras. E é isso que a banda mineira Black Sonora, está fazendo. Música cubana, pra lá de brasileira. Música totalmente sem fronteiras. As influências vêem de todos os lados: Jorge Ben, Buena Vista Social Club, The JB´s, Jackson do Pandeiro, Tim Maia.

E com essa “Vibração Mineira Sonora” as barreiras de Minas Gerais já estão sendo rompidas. A banda conquistou em 2006 o 1º lugar no 1º Festival de Música de Belo Horizonte e o 2º lugar no Festival de Música da Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ). Participou, também, do “Conexão Telemig Celular” nos anos de 2005 e 2006, chegando a tocar para cerca de 4.500 pessoas no Parque Municipal, em Belo Horizonte.

Entre essas 4.500 pessoas estávamos nós, da equipe “Nota Independente”. Sentimos a vibração e curtimos um show altamente dançante. Depois disso, não poderíamos deixar de bater um papo com essa galera. Encontramos-nos com todos eles (e olha que não é pouca gente, são 8 integrantes) e realizamos essa entrevista que vocês podem conferir aí embaixo.

Quais foram as principais mudanças que ocorreram com a banda desde o início, há quatro anos, até hoje?

(Gustavo) As mudanças não poderiam ter sido mais completas. Nós mantivemos as raízes, mas agora fazemos outro tipo de som e estamos com uma nova formação. Até a concepção do som é diferente.

Começamos a tocar influenciados pelas músicas mais antigas do Jorge Ben Jor e tínhamos apenas esboços de composições. Nada amadurecido.

Então, paramos um pouco com a banda. Nesse meio tempo, conhecemos o DJ Yuga e acabamos voltando para fazer o Tributo ao Tim Maia Racional. Encontramos o Ronan também (bateria) e começamos a manter um contato com o Cubano (voz e percussão) que, no tributo ao Tim, já começou a fazer umas canjas no show.

Daí para frente, a coisa foi amadurecendo, o grupo foi se unindo. Até que a gente começou a compor mesmo. Chegou o Bruno, na percussão, o Helton, na guitarra, o Luciano, também na percussão... Agora são 8 na família, mais os agregados, né...

Como surgiu a idéia de chamar um DJ para colocar Sampler nas músicas?

(Gustavo) Desde que a gente começou a tocar, que era uma coisa bem mais acústica, com uma formação menor, já tínhamos a pretensão de ter uma formação com um DJ. O que já era uma tendência desde os anos 90. Aí conhecemos o Yuga, fomos trocando figurinhas, e vimos que ele era o cara para estar com a gente. Pela pessoa mesmo que ele é e pelo conhecimento que ele tem.

E nos samplers tem muita coisa regional...

(Com a palavra, DJ Yuga...)

Na realidade, o Cubano e o Gustavo vieram com essa idéia de música cubana com brasileira. E eu queria fugir daquela coisa de samba, de ser muito clichê.

Tudo começou assim...

O sampler de uma música do João do Vale, que a gente usa na música “Poesia Urbana”, por exemplo, eu já tinha feito há um tempo, mas não rendeu nada na época. Mas segurei aquilo porque sabia que mais para frente poderia usar em outra coisa. E um dia a gente estava ensaiando a “Poesia Urbana” e eu falei com a galera que eu tinha um negócio que combinava com essa música. Combinou perfeito mesmo, a nota, tudo. Aí já era...

 

“Skratch já era, o negócio agora é intervenção, é sampler”.

Mas a coisa de DJ eu ainda estou aprendendo muito com a galera. A banda está sendo uma escola. Outro dia eu escrevi uma letra, passei pra galera e a gente acabou fazendo uma música. Tem outra com o Gustavo que eu também escrevi. Estou fazendo uns grooves em casa, com a ajuda do Bruno, do Gustavo e do Ronan. Está sendo uma outra visão da música para mim, de fazer música. Antigamente, eu ficava tocando música dos outros e agora estou tocando a minha música.

Quais foram as principais influências que o “Cubanito” trouxe para a banda?

(Gustavo) Ele trouxe a coisa de Cuba mesmo. Tanto do hip hop latino, muito influenciado pelo Orischas, Cypres Hill e a música tradicional cubana. E aqui no Brasil ele foi se identificando com muita coisa que tem similaridade com a música cubana. Bezerra da Silva, Jackson do Pandeiro. Tem muita coisa da música brasileira que é muito próxima da música cubana. Ele foi em cima disso.

E vocês têm planos de tocar em Cuba?

(Gustavo) O objetivo é esse. Primeiro a gente vai romper a barreira mineira, depois a fronteira do sudoeste, depois a fronteira brasileira, até chegar a Cuba.

Fala, DJ...

 

Mas nossa música já tocou em Cuba. Teve um pessoal que conheceu a Black Sonora pelo My Space e gostou das músicas. Eles falaram que estavam fazendo uma intervenção em Cuba.

E era mais ou menos assim...

Eles montavam um carrinho, tipo um camelô, e saíam pelas ruas tocando as músicas e vendendo os cds piratas. Eles falaram que tocaram nossas músicas por lá. Então, as músicas já estão lá, só não sei se estão fazendo sucesso...

Na música, “O mar pra mim”, vocês falam de BH. Como é a relação da banda com a cidade?

(Gustavo) A letra dessa música é da Milena Torres. A primeira vez que eu bati o olho nela eu quis musicar na hora. Então, ela me emprestou uma pasta cheia de poesias dela.

Mas a minha relação com a cidade é muito esta, de andar a pé, pegar ônibus, estar sempre em contato com o lance visual da cidade. Esses momentos que você está andando sozinho na rua, dentro do ônibus, para mim, são momentos muito inspiradores. Às vezes, várias idéias nascem desses momentos.

 

A família BLACK SONORA (fora os agregados):

Gustavo Negreiros (voz e guitarra)
Rubén “Cubanito” Santillana (voz e percussão)
Luiz Prestes (baixo)
Ronan Teixeira (bateria)
Helton Rezende (guitarra)
Bruno Lima (percussão)
Luciano Andrei (percussão)
DJ Yuga (samplers e intervenções)

www.blacksonora.com.br


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