M
Publicado por Nota Independente em 26 Jan 2012Texto de Rubem Leite

Obax anafisa.
M de Maria. Mulher que me ensinou sobre a vida e de seu marido fugia.
M de Margarida. Conhecemo-nos bem cedo e nossa brincadeira foi rápida.
M de Maristela. Seus pais a irritavam e ela se fazia mala.
M de Madalena. Inocente pecadora de pele morena.
M de Magda. Nervosa, elétrica, salgada, quase amarga.
M de Maria. De novo falo da professora e sua alegria.
M de … Eunice não tem M… Eunice sapeca, amorosa que chora.
M de Marina. Flor de São Paulo, alegre menina.
M de Márcia. Guerreira, mãe… Quase me deu presentes que seriam minha delícia…
M de Martha. Bailarina, seu silêncio fala!
M de Mercedes. Era alegria até que se prendeu por um coroa entre quatro paredes.
M de Mariana. Ou simplesmente Aninha. Forte em sua fragilidade. Tão pequena e feminina.
M de … Wanderléia. Mas essa Wanderléia tem Maria. Virgem inconformada disse que me queria.
Para cada uma de vocês e as futuras outras:
Delicada como uma flor é você, nos meus sonhos de Amor. Toco em seus cabelos, longos, da cor dos meus. Suaves e macios, porém. Toco em seu corpo, sabor de sexo louco. Toco em seu corpo, odor de maçã de Eva e de Adão. Sinto seus dedos, suas garras arranhando minhas costas. Sua boca querendo rasgar minhas orelhas. Seus lábios sugando os meus. “Sua língua é \ um tapete vermelho \ para a minha \ (…) \ Minha língua é \ um tapete vermelho \ para a sua”¹. Seu corpo sob o meu, o meu sobre o seu. Sua delicadeza convertida em insana perversidade recebe em seu corpo minha saliva pervertida. Cruéis carinhos eu ofereço e em troca recebo seus domínios carinhosos.
O pirilampo Rubem Leite – palavras da imagem.
O bem-te-vi Tiago Costa – imagem das palavras.
Em banto, obax anafisa significam flores e pedras preciosas.
Os versos e a ilustração são nossas flores para você
e fazemos votos de que encontre neles pedras preciosas.
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Os textos que deram origem ao cronto acima:
“Sonho Mal”, escrito no dia 21 de junho; “M de …” foi escrito no dia 27 de outubro;
Ambos em 1.993 e com meu heterônimo: Anthônio Raphaell.
E reescrito entre 20 e 25 de janeiro de 2012 com meu nome.
¹ SILVA, Renato – Uma Cidade nas Nuvens – São Paulo: Editora Patuá, 2011,
poema Tapete vermelho.
Desde minha adolescência eu escrevo até que em 1993 criei o que chamei de “Cadernos de Ensaios”. Muito do que escrevi lá apenas deixei fluir. O que vocês viram aqui são alguns textos escolhidos do Caderno de Ensaio que compartilho desejando que servisse como incentivo para criação do hábito de escrever, de registrar suas impressões e compartilhá-la com o mundo.
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A cada dia publicaremos textos diversos dos nossos colunistas fixos da revista, Begê, Diane Mazzoni, Marina Mazzoni, Paula Salerno, Rubem Leite e Betânia Lara na seção BLOGS do JORNAL O TEMPO. CONFIRAM!!!
Adorei esses M que se beijam, no texto e na ilustra!
Parabéns.
Bj, Le.
Gostei muito da forma que escreveu, os outros, algumas vezes, pareciam meio tensos, esse é gostoso de ler.
Parabéns!
Até breve nas aulas.
Bjos,
T@ti
Muito sensível…M de minucioso mistério metafórico…
alta estima kkkk pra mim