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	<title>Nota Independente</title>
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		<title>Cem anos antes que a ONU, São João del-Rei cantou solenemente o fim da escravidão</title>
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		<pubDate>Thu, 17 May 2012 12:22:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Emílio da Costa]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[São João del-Rei]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Emílio da Costa Largo do Rosário, Padre José Maria Xavier. S.J. Del-Rei . 2011 . Foto do Autor A música. Sempre a música a marcar com grandeza e dignidade o ritmo em que bate no peito o coração do povo de São João del-Rei. Sendo assim, foi com música, da melhor qualidade, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Emílio da Costa</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-564" title="emilio 17-05-12" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/05/emilio-17-05-12-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></p>
<table cellspacing="0" cellpadding="0" align="center">
<tbody>
<tr>
<td><em><strong>Largo do Rosário, Padre José Maria Xavier. S.J. Del-Rei . 2011 . Foto do Autor</strong></em></td>
</tr>
</tbody>
</table>
<p style="text-align: justify;">
<div></div>
<p style="text-align: justify;">A música. Sempre a música a marcar com grandeza e dignidade o ritmo em que bate no peito o coração do povo de São João del-Rei. Sendo assim, foi com música, da melhor qualidade, que os são-joanenses comemoraram o primeiro aniversário da libertação dos negros cativos.</p>
<p>Era 13 de maio de 1889. Na igreja do Rosário dos  Pretos, luminosos festejos. No largo em sua frente, a Orquestra Ribeiro Bastos apresentou um concerto solene, em que a música de notas coloridas e alegres ecoou liberdade por todos os cantos. Há um ano estava extinta a escravidão no Brasil. E também revogadas as disposições em contrário&#8230;</p>
<p>123 anos depois, a iniciativa se repete. Não mais no Largo do Rosário nem em São João del-Rei, mas em Nova Iorque e na sede das Nações Unidas. Ali, na noite do dia 15 de maio de 2012 acontece o concerto <strong><em>Honrar os Herois, Resistentes e Sobreviventes</em></strong>, em memória das vítimas da escravidão, em todas as formas e de todos os tempos, e do comércio transatlântico de escravos.</p>
<p>Há mais de cem anos, a Irmandade do Rosário são-joanense saiu na frente da ONU e a Orquestra Ribeiro Bastos se antecipou, abrindo o caminho para artistas norte-americanos, senegaleses, jamaicanos e haitianos que este ano, pela mesma causa, se apresentam em Nova Iorque. Pena que em São João del-Rei concerto tão importante quanto aquele de 1889 &#8211; e por um motivo tão nobre &#8211; não esteja mais sendo realizado. Quem sabe a partir de 13 de maio do ano que vem?</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2012/05/em-sao-joao-del-rei-acordes-de.html">http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2012/05/em-sao-joao-del-rei-acordes-de.html</a></p>
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		<title>O MUSEU E A ARTE CONTEMPORÂNEA</title>
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		<pubDate>Wed, 16 May 2012 12:31:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Almandrade]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Almandrade Na arte contemporânea não existe limites estabelecidos para a invençãoda obra, embora nem tudo em nome da liberdade, sem critérios e sem orisco de referências, a transgressão sem saber de que, divulgado comoarte, é arte. Com o deslocamento dos suportes tradicionais, a exemploda pintura e da escultura para outras opções estéticas ou experiênciasartísticas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Almandrade</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-559" title="Almandrade.casa claudia" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Almandrade.casa-claudia-454x500.jpg" alt="" width="454" height="500" /></p>
<p>Na arte contemporânea não existe limites estabelecidos para a invençãoda obra, embora nem tudo em nome da liberdade, sem critérios e sem orisco de referências, a transgressão sem saber de que, divulgado comoarte, é arte. Com o deslocamento dos suportes tradicionais, a exemploda pintura e da escultura para outras opções estéticas ou experiênciasartísticas em processo, com o uso de novas tecnologias disponíveis ounão, mas principalmente com um novo conceito do que vem a ser uma obrade arte, hoje em dia, coloca em xeque o museu tradicional.Determinadas linguagens de natureza diversificadas da atualidadesolicitam a reformulação de demandas e  estratégias museias, um outromodelo museológico e museográfico.
</p>
<p>O museu é o recipiente de conservar uma coleção e preservar umaherança  estética e cultural  de um tempo que passou e do presentepara significar o possível futuro. Ele ocupa um lugar de destaqueentre os diferentes elementos que compõem o sistema da arte. Assimcomo o hospício e a clínica, é provável ver nele um espaço deconfinamento, um espaço sagrado, intocável e asséptico de exposição deobjetos, que exige do espectador um ritual de contemplação, quase emsilêncio, das chamadas obras de arte.
</p>
<p>Não é um lugar neutro, tem história e implicações ideológicas. Naprimeira metade do século XX, o museu de arte era o depósito derepouso do moderno, questionado no início desse século pelo precursordas poéticas contemporâneas, Marcel Duchamp e seu novo paradigma, bemhumorado, para a arte: não mais uma coisa criada pelo artista, mas acoisa que o sujeito reconhecido como artista escolhe e decide para sera obra de arte.
</p>
<p>O museu como lugar passivo foi desarticulado com o Minimalismo nadécada de 1960 e logo em seguida a Arte Conceitual entrou em cenaquestionando de forma crítica e decisiva as instituições culturais, emespecial o museu, o templo da sacralização da arte. O embate foitravado entre o museu e as novas propostas artísticas, efêmeras,privilegiando a ideia contra a materialidade que se armazena nainstituição e alimenta o mercado de arte com mercadorias. A arte,desde então, passou a ser uma usina geradora de críticas, provocaçõese incômodos. Os mal-entendidos entre a arte e a  instituição musealforam inevitáveis e imprevisíveis.
</p>
<p>O caráter problematizador dessa produção de arte praticamente rejeitouo estatuto da obra de arte como produto, isto contrariou interesses domercado e o desejo de classificar e acomodar da instituiçãomuseológica. Para a arte contemporânea, o museu com sua arquiteturacaracterística, com função de alojar uma diversidade de procedimentos,é um laboratório de ensaio do que pode ser uma obra de arte, um campode experimentação. O museu é indispensável, é o ponto de partida e aestação de chegada. É ele que legitima o que se designa experiênciaartística. E o papel do museu, mais do que armazenar obras, é ser umespaço de pensamento crítico e educativo, frequentado por um públicoativo e não mero observador do que está em exposição.
</p>
<p>De certa forma, a arte produzida hoje, expõe feridas da cultura e dosistema da arte.  E o imaginário museal tem uma importância naformação do olhar capaz de pensar sobre a arte, do olhar que deixou decontemplar passivamente para experimentar e vivenciar. A arte de hojenão nos diz nada como a arte do passado, ela convida o espectador pararefletir sobre o que é uma obra de arte e suas relações com o sistemainstitucional. Nesse caso, o museu é o lugar privilegiado para oexercício do pensamento, até porque, as obras efêmeras sãotransferidas ou resgatadas para dentro do discurso e da instituiçãomuseológica pelos documentos, registros e reproduções.
</p>
<p>Almandrade (artista plástico, poeta e arquiteto)</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>10ª Semana de Museus movimenta Museu da Cidade – Salvador:</strong></p>
<p>Bate-papo com Almandrade<br />
Tema: “O Museu e a Arte Contemporânea: Um Desafio”<br />
16 de maio (quarta feira) às 10 h.<br />
MUSEU DA CIDADE<br />
Largo do Pelourinho – Centro Histórico – Salvador</p>
<p>O entrave entre as manifestações da arte contemporânea e museu<br />
tradicional, o que se pensa da instituição museológica nos dias de<br />
hoje. O museu do século XXI.</p>
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		<title>Ou dá Ou Desce &#8211; Parte II</title>
		<link>http://www.notaindependente.com.br/2012/05/ou-da-ou-desce-parte-ii/</link>
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		<pubDate>Tue, 15 May 2012 17:37:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fernando Barreto]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Fernando Barreto Ilustração de Bruno Grossi &#160; &#160; Capítulo 2 &#8211; Ah, é o Braga! Brito esperava pela entrega de uma pizza à noite em seu apartamento pouco antes das 23 horas de um domingo de Julho de 2011. Até aquele momento, embora soubesse que no dia seguinte precisaria comprar mais maconha, não [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Fernando Barreto<br />
Ilustração de Bruno Grossi</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-554" title="o-choro" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/05/o-choro.jpg" alt="" width="500" height="335" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Capítulo 2 &#8211;   Ah, é o Braga!</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Brito esperava pela entrega de uma pizza à noite em seu apartamento pouco antes das 23 horas de um domingo de Julho de 2011. Até aquele momento, embora soubesse que no dia seguinte precisaria comprar mais maconha, não pensava que a quantidade ainda disponível se resumia apenas ao baseado que acompanharia as cervejas até que a pizza chegasse. Achava que teria o baseado da manhã seguinte. Isso lhe daria algum conforto. Demoraria mais para sair de casa. Já estava com mais sono do que fome, mas sabia que o cheiro do queijo derretido da pizza abriria seu apetite. Dito e feito. Dormiu sem escovar os dentes, no pequeno sofá de sua sala, roncando mais que uma motosserra.</p>
<p style="text-align: justify;">Na manhã seguinte, havia um pedaço de pizza de calabresa e outro de aliche. As latas de cerveja vazias haviam preenchido o pequeno cesto de lixo de sua sala e seria preciso esvazia-la. A maconha tinha acabado, e embora tivesse um café da manhã nobre para saborear, com muito polenguinho, torradas, frutas e café, além dos pedaços de pizza que sobraram, ele.pensava apenas que estava com preguiça de sair e procurar Galvão na ponte para comprar fumo.</p>
<p style="text-align: justify;">Eram 9 horas e 34 minutos da segunda-feira de acordo com o relógio do micrrondas, e o pandemônio da região da Avenida Paulista já estava instalado há horas. Mesmo morando no décimo sexto andar podia ouvir durante o dia o barulho intenso das ruas que circundavam seu prédio. Só não dormia até o meio dia por causa do barulho, inclusive de helicópteros. Quando estivesse acostumado a dormir com aquele barulho, estaria vivendo em parte como um mendigo. Faltaria apenas aprender a dormir sob o sol, todo mijado e cagado e com fome.</p>
<p style="text-align: justify;">Nem mesmo a visão desse inferno para os outros era capaz de fazer com que Brito se sentisse privilegiado. Ele tinha condições de se mudar de São Paulo se isso lhe parecesse conveniente. Alguns fatores típicos de grandes cidades o faziam sofrer, mas gostava de olhar de sua janela e ver as pessoas que vinham de bairros distantes para trabalhar na Paulista. Muitas delas realmente sofridas, machucadas, se arrastando pelo concreto enquanto seus sonhos vão sendo diariamente esmagados como percevejos, mas ainda assim continuavam a dormir pouco e a trabalhar muito. Eram retardatários moribundos na corrida por dignidade. Com todo esse sofrimento, essas pessoas colhiam apenas decepção e amargura, invariavelmente. A rotina era o modo com que enfrentavam o caos.</p>
<p style="text-align: justify;">Naquela manhã, assim que pisou em sua sacada para olhar para a rua, o sol começou a castigar-lhe a vista, a cabeça e os ombros. Voltou para dentro do apartamento e irritou-se com a falta de maconha e com a consequente necessidade de interromper seu confortável isolamento doméstico para ir buscar mais. Tomou seu café da manhã, que naquele dia foi o que sobrou da pizza da noite anterior e uma pera e uma caneca grande de café preto, então fumou um cigarro e foi procurar Galvão na ponte para comprar mais maconha.</p>
<p style="text-align: justify;">Para sair Brito vestiu uma bermuda azul escura, uma camiseta branca dos Pixies toda descasacada pelo uso e pelas lavagens e que teve suas mangas cortadas e virou uma regata, exatamente a mesma roupa com a qual dormira, e calçava chinelos de borracha. A viagem de elevador do décimo sexto andar até o térreo pareceu demorada demais, principalmente pelo fato de o elevador ter parado no décimo segundo e no sétimo andar para que outros moradores entrassem. No hall de entrada sentiu como sempre o pensamento do porteiro com relação a ele, um pensamento que julgava Zé Ronaldo como um vagabundo mimado. Já na calçada do lado direito da ponte, por onde Brito descia, um cachorro vinha trotando no sentido contrário. mais adiante, algo em torno de 50 metros, na calçada do lado oposto, Galvão estava sentado num caixote de madeira sob a sombra que um hotel vizinho lhe proporcionava, conversando com um sujeito.</p>
<p style="text-align: justify;">O humor de Brito melhorou um pouco com a breve saldação de Galvão que quase imediatamente lhe apresentou o sujeito com  quem conversava. &#8216;Brito, esse é o Braga. Braga, esse é o Brito&#8217; &#8211; disse Galvão.</p>
<p style="text-align: justify;">Braga, um sujeito de cerca de um metro e setenta de altura, cabelo raspado com máquina 1 , braços irritantemente curtos em relação ao tronco, que estava oculto por um blazer de lã que não combinava com os 28 graus que ferviam os miolos de Brito. Braga não precisou de mais do que um segundo para comentar a respeito da camiseta de Brito, dizendo que gostava de Pixies e que vivia imerso em projetos musicais, teatrais, políticos e tudo mais. Tão rápida quanto a tentativa de interação por parte de Braga foi a repulsa que Brito sentiu do sujeito. Alguma coisa no aspecto geral de Braga fazia Brito pensar que alguma coisa tinha dado muito errado logo no começo da vida do cara, e isso se somava ao fato de Braga parecer ter sido levemente molestado naquela manhã. Molestado por mais um amanhecer. Molestado pelo sopro que a vida dava diariamente naquela vaga fagulha de esperança que ainda movia as massas. Era um jovem pretensamente engajado que não iria se rebelar contra as bizarrices da vida. Braga era uma peça ainda maléfica nessa grande máquina social  Uma máquina descontrolada que trabalhava sem paixão. Brito  precisava se afastar disso porque sabia o que viria a seguir.</p>
<p style="text-align: justify;">_ O Braga trabalha na Fiesp&#8230; &#8211; disse Galvão.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Olha só!! &#8211; disse Brito, que imediatamente de assunto emendando: &#8216;Então Galva, preciso daquela paranga de 20&#8230;&#8217;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Vou logo ali pegar, Britz&#8230; &#8211; disse Galvão, deslocando-se 20 metros e removendo um tijolo que tampava um buraco na mureta que havia entre as calçadas da ponte e a faixa de asfalto entre elas. Até que Galvão voltasse, segundos depois, Braga teve tempo de perguntar o que Brito fazia e onde morava e embora Brito soubesse que esse seria um limiar perigoso para ser transposto, foi logo dizendo: &#8216;Moro logo ali na Rio Claro e sou escritor.&#8217; Brito detestava quando perguntavam o que ele fazia.</p>
<p style="text-align: justify;">Braga reagiu à resposta de Brito com entusiasmo, comentando sobre sua aptidão jornalística e literária. &#8220;Eu tenho um blog!!! Hoje mesmo postei uma que escrevi sobre a banda de uns amigos meus!&#8221; Brito já sabia disso antes que Barga falasse. Brito odiava blogueiros. Odiava agitadores culturais, especialmente os mais jovens e &#8216;ecléticos&#8217;. Brito realmente tinha sonhado ser um escritor de verdade, mas desistiu definitivamente  por causa da ascenção dos blogueiros.</p>
<p style="text-align: justify;">As comodidades materiais de Brito o faziam ambicionar menos por sucesso de público em suas empreitadas pessoais. Apenas não podia perder seu apartamento por causa de excesso. Esperava não sofrer acidentes que multilassem seu corpo. Todos correm esses tipos de risco, mesmo os cautelosos. E fora isso, Brito não tinha muito a perder. Um eventual sucesso por conta de um livro despretensioso, por exemplo, poderia lhe trazer mais chateações do que um eventual enriquecimento financeiro pudesse pagar. Falaria do que? De sua vida? Assim seria chamado de burguês por universitários hippies de chinelo e barba. Era um recluso com o bônus da modéstia. Já Braga ao falar punha ênfase em tudo que fazia. Braga era um maldito agitador cultural. Conhecer Braga foi o único dano que maconha lhe causou. A culpa não era da maconha. A culpa era do Braga. E Braga não tinha o ônus da modéstia. Estava tudo ali: a pretensão de ecletismo, o gosto musical equivocado, o frenesi juvenil mal direcionado. Um jovem panfletário burro e inconveniente.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Continua semana que vem&#8230;     |      <em><a href="http://www.notaindependente.com.br/2012/04/ou-da-ou-desce-cap-01/">[+] Leia a primeira parte</a></em></em></p>
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		<title>Ninguém conhece ninguém</title>
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		<pubDate>Mon, 14 May 2012 14:58:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marina Mazzoni]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Marina Mazzoni Mas qualquer um pode confiar no que sente por alguém &#160; Sabe por quê?  Porque quando a gente sente, está em sintonia com a energia do planeta e é capaz de captar a emoção das pessoas que amamos. Eu escrevo muito, mas é sempre por inspiração. Acho que meu coração é [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Marina Mazzoni</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-551" title="marina---maio-01" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/05/marina-maio-01-331x500.jpg" alt="" width="331" height="500" /></p>
<p style="text-align: right;"><span style="color: #ffcc00;"><em>Mas qualquer um pode confiar no que sente por alguém</em></span></p>
<p><em> </em></p>
<p>&nbsp;</p>
<p><em>Sabe por quê?  Porque quando a gente sente, está em sintonia com a energia do planeta e é capaz de captar a emoção das pessoas que amamos.</em></p>
<p><em>Eu escrevo muito, mas é sempre por inspiração.</em></p>
<p><em>Acho que meu coração é capaz de sentir pequenas trepidações.</em></p>
<p><em>E hoje é dia de lembrar da mãe da gente, porque nem ser mãe é tão pleno como ter uma mãe. Ter mãe é para sempre, apesar de ser o início de tudo.</em></p>
<p><em>E a felicidade por ter uma mãe é uma experiência de total intimidade.</em></p>
<p><em>É uma das únicas situações da vida que é sublime mesmo se for impublicável.</em></p>
<p><em>Pois bem, tenho que narrar porque é a única forma de expressar a intensidade do ser “filha da mãe”.</em></p>
<p><em>Foi minha mãe que viu a menina, suada e suja das brincadeiras de “maré” e “esconde-esconde” mostrar a primeira gota de sangue do seu útero e foi a mulher, já mãe, que viu as últimas gotas de sangue do útero da mãe.</em></p>
<p><em>Só e tanto, mas muito íntimo, tão intenso que o tempo não apaga, a vida não supera, ninguém destrói&#8230;</em></p>
<p><em>Duas mulheres, duas vidas, um só útero, de cada vez&#8230;</em></p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Show banda Arkona, Music Hall</title>
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		<pubDate>Sat, 12 May 2012 12:43:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ed França]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Ed França ( edfranca.blogspot.com.br ) Fotografia de Priscila Rezende O Brasil tem ganhado muito com a constante onda de ótimos shows. No quesito rock pesado nem podemos reclamar. Falando de folk metal então, a coisa melhora! Já passaram por aqui Eluveitie, Finntroll, Cruachan, Korpiklaani e Tyr. Belo Horizonte recebeu no dia 27 de abril mais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Ed França ( <a href="http://edfranca.blogspot.com.br/">edfranca.blogspot.com.br</a> )<br />
Fotografia de Priscila Rezende</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-546" title="ED-01" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/05/ED-01-500x247.jpg" alt="" width="500" height="247" /></p>
<p style="text-align: justify;">O Brasil tem ganhado muito com a constante onda de ótimos shows. No quesito rock pesado nem podemos reclamar. Falando de folk metal então, a coisa melhora! Já passaram por aqui <strong>Eluveitie, Finntroll, Cruachan, Korpiklaani e Tyr</strong>. Belo Horizonte recebeu no dia 27 de abril mais um bloco para o grande muro dos eventos épicos para fortalecer a memória da cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Há quase uma década hordas de headbangers aguardam a presença de uma banda que se destaca entre as muitas do gênero. Proveniente das gélidas terras russas, precisamente de Moscou, a banda Arkona aterrisa em solo brazuca para promover o mais recente cd “Slovo”. Formada em 2002, a banda atingiu ponto alto na cena mundial representando o metal pesado e vem se destacando por apropriar uma estética que aborda o folclore russo e a mitologia eslava. A utilização de uma instrumentação tradicional soma tambores de guerra, flautas e gaitas de Fole. Ampliando a dimensão mítica desse contexto artístico elaborado, a banda ainda cria as composições escrevendo em alfabeto cirílico. Fecha com chave de ouro a produção visual que nos remete aos tempos imemoriais dos guerreiros eslavos.</p>
<p style="text-align: justify;">A vocalista Masha Arhipova é encantadora. Veste uma pele de raposa sobre o traje, movimenta-se com muita atitude vociferando poderosa se destacando dos demais front man da cena. Ela ganha atenção dos presentes mesmo sem dominar o inglês. Entre gritos de guerra e correrias pelas extremidades do palco, fala em russo e incita o público a travar uma batalha ao dividi-los num combate que eclode frente os riffs mais pesados de suas canções. Tudo brincadeira, ninguém se machuca, sorrisos tomam conta dos rostos da horda extasiada.</p>
<p style="text-align: justify;">É perceptível a alegria e energia que opera entre fãs e banda. Uma química que só entende quem comunga de um evento como esse.</p>
<p style="text-align: justify;">Num set list que passeia pelos vários álbuns da banda, retornam mais de duas vezes em cada “quase” fim de show, comovendo a plateia que delira.</p>
<p style="text-align: justify;">Belíssima apresentação que ficará para sempre nos corações e mentes dos fãs dessa banda, vinda das frias terras da mãe Rússia, que escreve com grandiosidade sua história na senda do folk metal.</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>13 de maio – Palácio Real da Nobre Nação Benguela. Onde? Em São João del-Rei&#8230;</title>
		<link>http://www.notaindependente.com.br/2012/05/13-de-maio-%e2%80%93-palacio-real-da-nobre-nacao-benguela-onde-em-sao-joao-del-rei/</link>
		<comments>http://www.notaindependente.com.br/2012/05/13-de-maio-%e2%80%93-palacio-real-da-nobre-nacao-benguela-onde-em-sao-joao-del-rei/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 11 May 2012 21:11:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Emílio da Costa]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Emílio da Costa De um modo geral, pouco se conhece - com mais rigor e profundidade - da história dos negros em São João del-Rei. Contudo, alguns estudos mostram que, em fins do século XVIII e por quase todo o século XIX, algumas comunidades negras eram institucionalmente organizadas nesta vila, com a finalidade, inclusive, de preservar a [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Emílio da Costa</p>
<p style="text-align: left;">De um modo geral, pouco se conhece - com mais rigor e profundidade - da história dos negros em São João del-Rei. Contudo, alguns estudos mostram que, em fins do século XVIII e por quase todo o século XIX, algumas comunidades negras eram institucionalmente organizadas nesta vila, com a finalidade, inclusive, de preservar a cultura original e fortalecer a indentidade daqueles grupos, bem como prestar assistência e auxílio aos negros mais desamparados.</p>
<p>Foi neste contexto que surgiu a &#8221;Nobre Nação Benguela&#8221; de São João del-Rei, vinculada à Irmandade de Nossa Senhora do Rosário, com funções que incluíam patrocinar a celebração de missas em favor dos membros falecidos. Entretanto esta prática católica, para os africanos, tinha o sentido de culto aos ancestrais, visando principalmente proteção, união e prosperidade.</p>
<p>A &#8220;Nobre Nação Benguela&#8221; tinha até um &#8220;Palácio Real&#8221;, formado por um conjunto de casas compradas para este fim em 30 de novembro de 1803 por dois pretos forros, com dinheiro arrecadado por meio de doações e esmolas. O palácio, para os negros, era como umaembaixada, território delimitado onde se preservava a cultura africana, rica de festas, tradições culturais e práticas que não eram bem vistas pelo poder de então. Era lugar de abastecimento cultural e a denominação &#8216;palácio&#8217; buscava demonstrar poder, prestígio, nobreza, respeitabilidade, assim como garantir sua utilização com fins políticos e religiosos.</p>
<p><strong><em>Os Benguelas de São João del-Rei: tráfico atlântico, religiosidade e identidades étnicas (séculos XVIII e XIX)</em></strong> é uma interessante produção acadêmica sobre este asunto, estudado por Sílvia Bugger e Anderson de Oliveira e publicado em janeiro de 2009 na revista<strong><em>Tempo</em></strong>, do Departamento de História da UFF.</p>
<p>Aproveitando o ensejo do dia 13 de maio e buscando conhecer a história dos negros em São João del-Rei, que tal saber mais sobre o Nobre Palácio Real da Nação Benguela?</p>
<p>Basta acessar <a href="http://www.thefreelibrary.com/Os+Benguelas+de+Sao+Joao+del+Rei%3A+trafico+atlantico,+religiosidade+e...-a0207745043">http://www.thefreelibrary.com/Os+Benguelas+de+Sao+Joao+del+Rei%3A+trafico+atlantico,+religiosidade+e&#8230;-a0207745043</a> e boa leitura!&#8230;</p>
<p>Enquanto você não lê, ouça Thalma de Freitas e Mateus Aleluia cantando Cordeiro de Nanã</p>
<p style="text-align: left;">&nbsp;</p>
<div style="text-align: center;"><object classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" width="320" height="266" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://2.gvt0.com/vi/XqPWV0M8B-o/0.jpg"><embed type="application/x-shockwave-flash" width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/XqPWV0M8B-o&amp;fs=1&amp;source=uds"></embed></object></div>
<p><a href="http://www.diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2011/05/13-de-maio-sao-joao-del-rei-teve.html">http://www.diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2011/05/13-de-maio-sao-joao-del-rei-teve.html</a></p>
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		<item>
		<title>UMA ESTÓRIA DA NOITE</title>
		<link>http://www.notaindependente.com.br/2012/05/uma-estoria-da-noite/</link>
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		<pubDate>Thu, 10 May 2012 12:37:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rubem Leite]]></category>
		<category><![CDATA[Tiago Costa]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Rubem Leite Ilustração de Tiago Costa &#160; Obax anafisa. &#160; São vinte horas.Lucas Silveira, conhecido na roda que frequenta por LS, espera sua noiva, Marie, para armarem juntos contra Pedro, seu sócio e amigo íntimo. Ambos têm uma próspera média empresa de materiais de limpeza. Aproveitando-se do atraso da noiva, LS se aproxima [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Rubem Leite<br />
Ilustração de Tiago Costa</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-538" title="Ilustra Nota Independente - 021" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Ilustra-Nota-Independente-021-500x317.jpg" alt="" width="500" height="317" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Obax anafisa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>São vinte horas.Lucas Silveira, conhecido na roda que frequenta por LS, espera sua noiva, Marie, para armarem juntos contra Pedro, seu sócio e amigo íntimo. Ambos têm uma próspera média empresa de materiais de limpeza. Aproveitando-se do atraso da noiva, LS se aproxima da florista e marca um encontro noturno com a pobre menina pobre. Num belo carro popular se aproxima Marie, atravancando a conversa. Como prova inconsciente de sua canalhice, LS leva sua noiva para o interior da igreja, bem perto da entrada, abaixo das imagens dos Santos Lucas e Pedro. Em um lugar sagrado arquitetam um plano profano contra Pedro Scansa.</p>
<p>- Você seduz o Pedro, vai com o cara para seu apartamento e lá o matarei.</p>
<p>- Querido! Ele é muito rigoroso em questões de honra. Tão&#8230; medieval! – Diz mostrando seus conhecimentos literários. Tem toda coleção Bianca, Sabrina e, seus preferidos, Júlia Paixões Picantes – Por que vós achais que ele iria comigo? Principalmente porque o tolo te respeita muito.</p>
<p>- Ora! Até parece que a senhorita não conhece os homens. Nossa virilidade nos conduz mais do que nossa honra.</p>
<p>Um padre se aproxima e eles se afastam trocando juras de paixão eterna. Marie vai para Pedro e LS vai para Clarice, a florista adolescente.</p>
<p>Comida e moradia, quem não precisa? Quem não faria qualquer coisa para garanti-las para si e para os seus? Então não julguemos a menina, inocente vítima da sociedade. Ai, ai! “Mundo, mundo vasto mundo se eu me chamasse Raimundo&#8230;”¹. Mas, repito, não julguemos a menina, presa da noite.</p>
<p>Mas vejamos a manhã que se aproxima. É três de maio, Dia do Sol, no Brasil.</p>
<p>Antes dela – a aurora – surgir, um carro negro caríssimo sai do edifício. Em seu interior Marie chora e LS sorri. Nunca um “assalto” foi tão bem executado. “Que tristeza! Pena que resultou em  latrocínio&#8230; Um amigo tão bom, mas tão sozinho no mundo”, chora LS para a impressa no dia seguinte. “Que dor! Pena que não apenas levaram o que foram roubar&#8230; Um amigo tão bom”, chora para o doutor delegado.</p>
<p>No passar dos anos LS se casa com Marie e tem um filho com Clarice, empregada da casa. E a derradeira noite se aproxima cobrindo a todos e dando pesadelos a alguns. Pedro olha o casal e se aproxima da criança.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">O bem-te-vi Tiago Costa – imagem das palavras.<br />
O pirilampo Rubem Leite – palavras da imagem.</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Ofereço à Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares, Ipatinga MG,<br />
que dia 09 de maio de 2012 fez 46 anos.</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">¹ DRUMMOND de Andrade, Carlos – Poema de Sete Faces.</p>
<p style="text-align: right;">Oi, você que me leu, muito obrigado por me acompanhar.</p>
<p style="text-align: right;">O Caderno de Ensaios II foi escrito inteiramente em 1993 com o heterônimo Anthônio Raphaell. O primeiro texto original “Efêmera Explosão” foi escrito no dia 11 de novembro. O segundo texto original “O Jardim das Ilusões” foi escrito em 12 de novembro. Reescrevi entre 06 e 10 de abril de 2012 com meu nome (Rubem). À semelhança do caderno I, este é também composto por exercícios que me permitiram tornar o que sou hoje. E, como graças a Deus, humildade não é um dos meus defeitos, atrevo a dizer que sou um bom jardineiro da palavra. Mas como meus leitores merecem o melhor, pego os textos que mais gostar, dou uma arrumada e compartilho com todos que me acharem dignos de ser desfrutado.</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Em banto, obax anafisa significam flores e pedras preciosas.<br />
Os versos e a ilustração são nossas flores para você<br />
e fazemos votos de que encontre neles pedras preciosas.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Nem um nem outro</title>
		<link>http://www.notaindependente.com.br/2012/05/nem-um-nem-outro/</link>
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		<pubDate>Tue, 08 May 2012 16:16:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Grossi]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Bruno Grossi Não sou um Não sou dois Sou de cores Que não se distinguem Ao amanhecer Pois cada dia É o sabor das dúvidas Que colhi durante a vida &#160; Não sou o tempo Não sou a hora Sou de gêmeos Sou de carne e osso Mas também De corpo e alma [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Bruno Grossi</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-534" title="Bico-de-pena-01" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/05/Bico-de-pena-01-500x441.jpg" alt="" width="500" height="441" /></p>
<p style="text-align: center;">Não sou um</p>
<p style="text-align: center;">Não sou dois</p>
<p style="text-align: center;">Sou de cores</p>
<p style="text-align: center;">Que não se distinguem</p>
<p style="text-align: center;">Ao amanhecer</p>
<p style="text-align: center;">Pois cada dia</p>
<p style="text-align: center;">É o sabor das dúvidas</p>
<p style="text-align: center;">Que colhi durante a vida</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Não sou o tempo</p>
<p style="text-align: center;">Não sou a hora</p>
<p style="text-align: center;">Sou de gêmeos</p>
<p style="text-align: center;">Sou de carne e osso</p>
<p style="text-align: center;">Mas também</p>
<p style="text-align: center;">De corpo e alma</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Não sou um</p>
<p style="text-align: center;">Nem sou outro</p>
<p style="text-align: center;">Sou do tempo</p>
<p style="text-align: center;">Que se desfaz</p>
<p style="text-align: center;">Em minhas mãos</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Sou do mundo</p>
<p style="text-align: center;">Que se cria</p>
<p style="text-align: center;">Enquanto penso</p>
<p style="text-align: center;">E faço</p>
<p style="text-align: center;">E possa!</p>
<p style="text-align: center;">Pois sou de gêmeos</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Não sou nenhum</p>
<p style="text-align: center;">Ou apenas todos</p>
<p style="text-align: center;">Sou alegre, sou triste</p>
<p style="text-align: center;">Sou de sol e de lua</p>
<p style="text-align: center;">Perfeição e aberração</p>
<p style="text-align: center;">Sou do mundo</p>
<p style="text-align: center;">Sou de gêmeos</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>INVENTÁRIO</title>
		<link>http://www.notaindependente.com.br/2012/05/inventario/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 20:24:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[:::::::::: Outros Colaboradores]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Rubem Leite Pintura de Bruno Grossi Se possível, leia ouvindo Carmina Burana – Fortuna – de Carl Orff. Obax anafisa a todos os filhos e pais, não importam onde estejam, se aqui ou além. &#160; &#160; Papai querido. Papai, aos meus olhos, bravo. Papai querido. Papai, você é amado. Papai, seu cartão de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Rubem Leite<br />
Pintura de Bruno Grossi</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-530" title="bg" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/05/bg-375x500.jpg" alt="" width="375" height="500" /></p>
<p style="text-align: right;">Se possível, leia ouvindo Carmina Burana – Fortuna – de Carl Orff.</p>
<p style="text-align: right;">Obax anafisa a todos os filhos e pais,</p>
<p style="text-align: right;">não importam onde estejam, se aqui ou além.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Papai querido. Papai, aos meus olhos, bravo.</p>
<p style="text-align: center;">Papai querido. Papai, você é amado.</p>
<p style="text-align: center;">Papai, seu cartão de advogado eu guardei,</p>
<p style="text-align: center;">Mais do que em outro lugar, em minha memória.</p>
<p style="text-align: center;">E para ter certeza de que nunca esquecerei</p>
<p style="text-align: center;">Faço os versos e frases, formo estrofes e parágrafos</p>
<p style="text-align: center;">Que fortalecem a memória.</p>
<p style="text-align: center;">Papai, ingrato fui, mas hoje sou-lhe grato.</p>
<p style="text-align: center;">Não pense que fui ruim.</p>
<p style="text-align: center;">O que fui era tolo e chato.</p>
<p style="text-align: center;">Papai, você me aceitou</p>
<p style="text-align: center;">Mesmo eu não merecendo.</p>
<p style="text-align: center;">Você me amou</p>
<p style="text-align: center;">Mesmo eu pouco correspondendo.</p>
<p style="text-align: center;">Papai, o senhor é um anjo querido e amado.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Para escrever busco na memória</p>
<p style="text-align: center;">As melhores ideias.</p>
<p style="text-align: center;">Porém na minha ou n’alheia história</p>
<p style="text-align: center;">Abrigam-se Marias ou Medeias.</p>
<p style="text-align: center;">Inventários não inventados para minha vitória.</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">O pirilampo Rubem Leite – palavras da imagem.<br />
O bem-te-vi Bruno Grossi– imagem das palavras.</p>
<p style="text-align: right;">Em banto, obax anafisa significam flores e pedras preciosas.</p>
<p style="text-align: right;">Os versos e a ilustração são nossas flores para você</p>
<p style="text-align: right;">e fazemos votos de que encontre neles pedras preciosas.</p>
<p style="text-align: right;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-</p>
<p style="text-align: right;">O texto que deu origem aos versos acima:</p>
<p style="text-align: right;">“Papai” foi escrito pela primeira vez em 27 de outubro de 1.993</p>
<p style="text-align: right;">com meu heterônimo: Anthônio Raphaell.</p>
<p style="text-align: right;">E reescrito entre 24 de dezembro de 2011 e 02 de maio de 2012 com meu nome.</p>
<p style="text-align: right;">Desde minha adolescência eu escrevo até que em 1993 criei o que chamei de “Cadernos de Ensaios”. Muito do que escrevi lá apenas deixei fluir. O que vocês viram aqui são alguns textos escolhidos do Caderno de Ensaio que compartilho desejando que servisse como incentivo para criação do hábito de escrever, de registrar suas impressões e compartilhá-la com o mundo.</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Quilombos e neoquilombos de São João del-Rei</title>
		<link>http://www.notaindependente.com.br/2012/05/quilombos-e-neoquilombos-de-sao-joao-del-rei/</link>
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		<pubDate>Thu, 03 May 2012 13:19:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Emílio da Costa]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Emílio da Costa &#160; Quem hoje vivencia, conhece ou assiste a &#8221;afro.moreni.mineiridade&#8220; são-joanense não imagina que foi na Comarca do Rio das Mortes &#8211; cuja sede era a Vila de São João del-Rei &#8211; que na primeira metade do século XVIII surgiram e se fortaleceram dois dos maiores quilombos mineiros: o Quilombo do Ambrósio e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Emílio da Costa</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-527" title="TORRES DO ROSARIO" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/05/TORRES-DO-ROSARIO-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></p>
<p style="text-align: left;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: left;">
<div>Quem hoje vivencia, conhece ou assiste a &#8221;<strong><em>afro.moreni.mineiridade</em></strong>&#8220; são-joanense não imagina que foi na Comarca do Rio das Mortes &#8211; cuja sede era a Vila de São João del-Rei &#8211; que na primeira metade do século XVIII surgiram e se fortaleceram dois dos maiores quilombos mineiros: o Quilombo do Ambrósio e o Quilombo Grande.</div>
<p>Precursor do Quilombo Grande, o Quilombo do Ambrósio chegou a ter uma população de 1.000 negros. Era um sistema comunitário, onde os quilombolas se distribuíam em grupos organizados para desempenhar diferentes funções importantes para a sobrevivência da comunidade. Os excursionistas ou exploradores assaltavam fazendas e caravanas; os campeiros e criadores criavam gado, os caçadores buscavam animais e carne nas matas e os agricultores plantavam, cuidavam das roças e produziam açúcar e farinha. Mas também destilavam aguardente, de tão boa qualidade que inspirou um ditado popular ainda hoje muito conhecido em São João del-Rei: &#8220;<strong><em>cachaça do quilombo é um gole e um tombo</em></strong>&#8220;. Os alimentos, estocados em paiois, eram distribuídos igualmente entre todos, segundo a necessidade de cada um.</p>
<p>O Quilombo do Ambrósio era tão ameaçador para o governo da capitania que em 1746 o governador Gomes Freire de Andrada destinou 2.750 oitavas de ouro para formar uma expedição, comandada pelo capitão Antonio João de Oliveira. Sua missão era destroçar o quilombo sem matança de escravos (mercadoria valiosa), mas como a tropa encontrou forte resistência, usou armas de fogo e até granada, destruindo e incendiando tudo.  Foi imensa a mortandade.</p>
<p>Os  sobreviventes criaram no mesmo local um novo quilombo que, funcionando igual ao do Ambrósio, cresceu tanto que ficou conhecido como Quilombo Grande. Em 1756, isso já preocupava o governo que, após três anos de cuidadosa preparação e um volume fabuloso de recursos (dez quilos de ouro), arrecadados junto às câmaras de várias vilas, confiou a expedição exterminadora  a Bartolomeu Bueno. Homem temido e sem escrúpulos, descendente direto do cruel Anhanguera.</p>
<p>Descobrindo esse plano, os quilombolas tentaram se livrar do ataque se dispersando por quilombos menores. Isto tornou mais difícil e demorado o trabalho da tropa. A perseguição durou todo o ano de 1759, mas como desejavam os governantes, desta vez a destruição foi total.</p>
<div><strong><em>Neoquilombos de São João del-Rei</em></strong></div>
<p>Duzentos e sessenta e seis anos após a destruição do Quilombo do Ambrósio, sua lembrança, insconscientemente, continua sendo cultuada em São João del-Rei. Talvez até não seja exagero dizer que ali, modernos quilombos culturais estão sempre a se formar.Tanto que no próximo dia 5 &#8211; deste mês em que se rememora a assinatura da Lei Áurea &#8211; acontece na cidade uma celebração em homenagem aos pretos velhos.</p>
<p>Promovido pela sociedade Egbe Ile Omidewa Ase Igbolayo e pela Associação Afrobrasileira Casa do Tesouro, trata-se de evento respeitável, dignamente divulgado na Agenda Cultural em pé de igualdade com outros acontecimentos absolutamente diversos, entre eles a Sinfonia dos Sinos, o Festival Palco Itália e o Programa de Música Barroca. Sinal de que a luta dos quilombolas não foi em vão.</p>
<p>Mais informações sobre a Celebração / Homenagem aos Pretos Velhos podem ser obtidas pelos telefones (32) 3373-1619 e (32) 8809-6167.</p>
<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</strong><br />
<strong><em>Fonte: VERGUEIRO, Laura. Opulência e miséria das Minas Gerais. Editora Brasiliense. São Paulo. 1982</em></strong></p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2012/05/quilombos-e-neoquilombos-de-sao-joao.html">http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2012/05/quilombos-e-neoquilombos-de-sao-joao.html</a></p>
<p style="text-align: left;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>O dia em que São Jorge quase caiu do cavalo em São João del-Rei</title>
		<link>http://www.notaindependente.com.br/2012/04/o-dia-em-que-sao-jorge-quase-caiu-do-cavalo-em-sao-joao-del-rei/</link>
		<comments>http://www.notaindependente.com.br/2012/04/o-dia-em-que-sao-jorge-quase-caiu-do-cavalo-em-sao-joao-del-rei/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 14:45:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Emílio da Costa]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Emílio da Costa Dia 23 de abril foi dia de São Jorge &#8211; o santo guerreiro que, enquanto houver cavalo, não anda a pé. Muito popular nas Minas coloniais, o culto a São Jorge era patrocinado pela Câmara das vilas, mostrando como especialmente naquela época eram firmes os elos que uniam poder e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Emílio da Costa</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-523" title="SAO JORGE det" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/04/SAO-JORGE-det.jpg" alt="" width="322" height="364" /></p>
<p style="text-align: left;">Dia 23 de abril foi dia de São Jorge &#8211; o santo guerreiro que, enquanto houver cavalo, não anda a pé.</p>
<p>Muito popular nas Minas coloniais, o culto a São Jorge era patrocinado pela Câmara das vilas, mostrando como especialmente naquela época eram firmes os elos que uniam poder e religião. Em São João del-Rei, por exemplo, São Jorge era um símbolo estatal tão importante que sua imagem não ficava na igreja, mas na Casa da Câmara.</p>
<p>Entretanto, conta a história que, pelos idos de 1842, o prestígio do santo que se projetava em sombra na lua cheia, lutando contra o dragão, andava meio abalado em São João del-Rei. Tanto que há 160 anos, no dia 8 de abril, o vereador Francisco Joaquim Araújo Pereira da Silva propôs à Câmara que a imagem de São Jorge e suas vestes fossem entregues ao vigário para &#8220;<strong><em>ficarem em um lugar com mais decência</em></strong>&#8220;. Mas aí começou uma contenda que durou quase cinco décadas.</p>
<p>É que outro vereador, padre Bernardino, discordou, alegando que a imagem barroca estava em boa guarda na Casa da Câmara e, para aumentar sua imponência e dignidade, poderia até ganhar um rebuscado dossel de damasco. A proposta foi prontamente aceita por todos - quem não teme a ira do guerreiro? Com isso, São Jorge teve mantido seu &#8220;cargo&#8221; público por mais 45 anos, até que em 1887 o vereador João Rodrigues de Melo pediu a trasladação da imagem para a Matriz do Pilar pelo mesmo motivo: a sala onde ficava não tinha &#8220;<strong><em>a decência necessária que lhe é devida</em></strong>&#8220;.</p>
<p>Da Casa da Câmara, a bela imagem de São Jorge, em tamanho natural e pernas arqueadas para montar cavalo vivo, foi para a Matriz. Hoje está no Museu de Arte Sacra. Mesmo sem cavalo, ali São Jorge não anda a pé&#8230;</p>
<p><strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</strong><br />
<strong><em>Fonte: CINTRA, Sebastião de Oliveira. Efemérides de São João del-Rei. 2a edição revista e aumentada. Volume 1. Imprensa Oficial. Belo Horizonte. 1982.</em></strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong><em>Texto original: <a href="http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2012/04/o-dia-em-que-sao-jorge-quase-caiu-do.html">http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2012/04/o-dia-em-que-sao-jorge-quase-caiu-do.html</a></em></strong></p>
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		<title>Aquarela</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 14:38:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rubem Leite]]></category>
		<category><![CDATA[Thiago Domingues]]></category>
		<category><![CDATA[Tiago Costa]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Rubem Leite e Thiago Domingues Ilustração Tiago Costa Obax anafisa. &#160; Uma névoa&#8230; Não! Muito pequena para ser névoa. É gás. O vento cada vez mais forte não dispersou o gás que tinha uma forma&#8230; Uns dois metros de altura, uns cinquenta ou sessenta centímetros no seu meio, seu alto quase tem um separação&#8230; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Rubem Leite e Thiago Domingues<br />
Ilustração Tiago Costa</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-520" title="Ilustra Nota Independente - 019" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/04/Ilustra-Nota-Independente-019-377x500.jpg" alt="" width="377" height="500" /></p>
<p style="text-align: right;">Obax anafisa.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Uma névoa&#8230; Não! Muito pequena para ser névoa. É gás. O vento cada vez mais forte não dispersou o gás que tinha uma forma&#8230; Uns dois metros de altura, uns cinquenta ou sessenta centímetros no seu meio, seu alto quase tem um separação&#8230; como se fosse uma quase esfera pequena acima da parte ovalada&#8230; No ar, indo de uns dez a cinquenta centímetros, subindo, descendo, o gás. Uma parte à sua esquerda se destaca sem se desprender erguendo como se fosse um braço. No corpo gasoso a forma levemente humana diz</p>
<p>No fogão ainda sujo, a panela com o que sobrou do macarrão era o vestígio de que ali durou-se pelo tempo exato da eternidade um único instante sóbrio. O instante que a intensidade saiu do vermelho engarrafado e encontrou almas lúcidas. A partir dali, daquela exata partícula da perfeição, quanto mais se pensava, mais desenterrava memórias a passos de machado devastador, rumando à renovação.</p>
<p>Qual é a estética de um amor perdido?</p>
<p>Nada pior do que tentar entender a lógica, quando foi o caminho que se perdeu. Desencontrou ou seguiu a correnteza dos anseios próprios? A solidão só me permite a culpa&#8230;</p>
<p>São questões puras como um muro branco, mas logo a cópia e o cinza roubam a cena e o pensamento se perde nas brochuras dele mesmo. É preciso coragem para viver, mais ainda para enfrentar os pensamentos crus.</p>
<p>Covarde? Prudente? Enfrente seus pensamentos e saberá o que são palavras mesmo quando ali elas não valem nada.</p>
<p>Do alto dos pensamentos, os sentidos emudecem e uma atmosfera oleosa toma conta daquilo que poderia chamar de mim. Este é o exercício para, mesmo vivo, não ser devorado como um corpo tombado ao chão.</p>
<p>Viver e se renovar. Esta é a gratidão da vida nas linhas do tempo.</p>
<p>No banheiro, as águas do chuveiro caem como uma cachoeira de agulhas. Até o mais carnudo pedaço de pizza hoje seria péssima companhia.</p>
<p>Desisto do banho. Não me importo com a espuma ainda grudada na pele e saio do banheiro deixando as pegadas de um corpo molhado no carpete.  Eu renasço na indecisão: qualquer pegada tem seu peso quando a dúvida é a melhor companheira.</p>
<p>O quarto reflete a luz e a intensidade da cidade. Na demora, o incenso custa a queimar, perpetuando sua essência.  O cheiro de sândalo me embrulha o estomago. Me faz jogar tudo bela janela com raiva. Não quero saber de incenso nem de tecnologias, só hoje não quero acreditar que tudo se resolve com um botão ou como uma nuvem de acesso ao Nirvana mediado pelo sândalo. Só quero acreditar que o dia passa carregando com ele tudo que não pode ir ao dia seguinte. Somente isso. E o resto que fique para amanhã&#8230;</p>
<p>Onde está a noite que cessa o dia, mas traz com ela renovação?  Hoje, minha noite é polar, intensa e fria mesmo no verão.</p>
<p>Pego a lista telefônica e penso em ligar para qualquer número.  Procuro alguém que me deixe falar, me ouça e mesmo sem entender desligue o telefone após me deixar falar. Não sou egoísta, não me vejo com necessidade de querer toda atenção do mundo, mas hoje cresceu um monstro que não cabe em mim e não sei o que fazer com ele.</p>
<p>Na lista telefônica há anúncios estranhos e dos mais bizarros, eu só queria encontrar um delivery para a felicidade.  Felicidade não é conforto e disto eu tenho certeza. Talvez a única certeza que vem à mente agora é que preciso de um chão. Pessoas pensam que precisam de carros, viagens, comidas&#8230; tudo isso são barulhos das loterias deste mundo, que não apagam um desconforto sequer. Eu agora preciso de um chão.</p>
<p>Talvez precisasse de uma história, mas se conseguir desligar de tudo isso, talvez até consiga imaginar uma.  Um chão ou uma história?  Numa hora dessas um livro de receitas também é uma boa companhia, faz tudo parecer simples, fácil e bonito. Por mais que na prática seja diferente, mesmo na mentira, é tudo que preciso.</p>
<p>Dessas quimeras todas, nenhuma me ocorreu.</p>
<p>Continuei deitado na cama com a ressaca do sândalo inebriando o contar das horas, que naquele momento já avançavam madrugada adentro.</p>
<p>Como qualquer tentativa, foi preciso esforço (e muito) para sair da cama. Carregava o peso de um mundo vazio com a maldição deste monstro me assombrando. Precisei carregar o peso da tentativa, precisei sair de mim e no mínimo tentar. Tentar sempre é preciso quando morrer só não basta.</p>
<p>Sentia que algo próximo à fé animava o coração. Foi a força que precisava para superar o encontro de ontem, que ainda esmagava qualquer reação ao não ser o ciclo viciante do pensamento.</p>
<p>Os talheres usados e o copo com o batom dela eram os primórdios do fim, e só eu não acreditava. Todo mundo sofre por aquilo que pensa que é amor, e eu sou mais um destes descuidados.</p>
<p>Escovo os dentes, ainda com o gosto da cebola cortada tão finamente para aquele encontro especial.  Sempre vi nos programas da TV para não usar alho ou cebola em ocasiões como esta, mas algo me diria que por mais tola que fosse a ideia da cebola camuflando seu sorriso, neste momento, me faria sentir mais perto dela.</p>
<p>A estupidez me levou a um lugar seguro desta vez. Dei alguns passos e sentindo que o dia, lentamente, estava acordando fui até a prateleira e peguei um livro de um dos grandes mestres da literatura.  A esmo, acabei abrindo. Era uma das minhas páginas favoritas: “Na sombra do chorão sobre a madrugada escura uma jovem sentada no chão úmido pela chuva da noite. Braços cruzados tampando os joelhos e os cabelos desgrenhados – amarelos, sujos – sobre o rosto – magro, encardido –. Olhei por acaso para onde ela estava, mas não a vi. Olhei para seus olhos, mas ela não tinha olhos. Virei-me para onde suas órbitas oculares observavam e só vazio e profundo abismo estavam lá. Estremeci. Segui meu caminho na madrugada úmida esperando a promessa do sol. Tenho fé que ele virá. Mais uma vez ele virá”.</p>
<p>Esquentando o coração aos poucos, descobri que fé é acreditar no Sol, porque ele virá. Na verdade, qualquer um pode ser sol, até mesmo este que acende o dia. E eu até tinha esquecido do monstro. Este talvez apareça novamente quando eu deixar a escuridão reinar&#8230;</p>
<p>Tentar descobrir que sou eu? Eu já fui Guino.</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Os pirilampos Thiago Domingues e Rubem Leite – palavras da imagem.</p>
<p style="text-align: right;">O bem-te-vi Tiago Costa – imagem das palavras.</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Em banto, obax anafisa significam flores e pedras preciosas.</p>
<p style="text-align: right;">O texto e a ilustração são flores do Tiago, Rubem e do outro Thiago para você e fazemos votos de que encontre nele pedras preciosas.</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Escrito entre 17 e 25 de abril de abril de 2012.</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Para saber mais sobre Guino, recomendo a leitura de <a href="http://artedoartista.blogspot.com.br/2010/04/remoendo.html">http://artedoartista.blogspot.com.br/2010/04/remoendo.html</a></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O Vazio</title>
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		<pubDate>Thu, 26 Apr 2012 11:06:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Bruno Grossi]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Bruno Grossi &#160; Pede-me para escrever&#8230; Penso no início das palavras Que não saem por opção Vingança, raiva ou orgulho A simples falta de tristeza Desestrutura o olhar de um mundo voraz Mas que de tão voraz Limou meus sentimentos Ah! Que preguiça&#8230; Preguiça de pensar Sobre o não pensar A cobrança de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Bruno Grossi</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-large wp-image-516 aligncenter" title="Escritor" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/04/Escritor-500x489.jpg" alt="" width="350" height="342" /></p>
<p style="text-align: center;">Pede-me para escrever&#8230;</p>
<p style="text-align: center;">Penso no início das palavras</p>
<p style="text-align: center;">Que não saem por opção</p>
<p style="text-align: center;">Vingança, raiva ou orgulho</p>
<p style="text-align: center;">A simples falta de tristeza</p>
<p style="text-align: center;">Desestrutura o olhar de um mundo voraz</p>
<p style="text-align: center;">Mas que de tão voraz</p>
<p style="text-align: center;">Limou meus sentimentos</p>
<p style="text-align: center;">Ah! Que preguiça&#8230;</p>
<p style="text-align: center;">Preguiça de pensar</p>
<p style="text-align: center;">Sobre o não pensar</p>
<p style="text-align: center;">A cobrança de certas palavras</p>
<p style="text-align: center;">Que não vêem</p>
<p style="text-align: center;">E ficam assim, martelando</p>
<p style="text-align: center;">Tiram o sono de quem vos fala</p>
<p style="text-align: center;">O escuro não mais é o mesmo</p>
<p style="text-align: center;">Há uma luz, lá no fundo</p>
<p style="text-align: center;">Mas que chega a incomodar</p>
<p style="text-align: center;">Na verdade, pensando bem,</p>
<p style="text-align: center;">É uma inquietude</p>
<p style="text-align: center;">É o caminho do vazio, com dúvidas</p>
<p style="text-align: center;">Mas que sempre</p>
<p style="text-align: center;">Há de guiar&#8230;</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Salve Regina! Salve São João del-Rei e o Coral dos Coroinhas de Dom Bosco &#8230;</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Apr 2012 12:38:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Emílio da Costa]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Emilio da Costa &#160; Registro musical primoroso e precioso, que sem dúvida confirma e contribui para que São João del-Rei seja digna de uma de suas mais consagradas denominações: Terra da Música. Assim bem pode ser definido o CD Salve Regina, lançado recentemente peloCoral dos Coroinhas de Dom Bosco da Matriz do Pilar de São João del-Rei, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Emilio da Costa</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-512" title="capa cd" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/04/capa-cd.jpg" alt="" width="500" height="492" /></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Registro musical primoroso e precioso, que sem dúvida confirma e contribui para que São João del-Rei seja digna de uma de suas mais consagradas denominações: <strong><em>Terra da Música</em></strong>. Assim bem pode ser definido o CD <strong><em>Salve Regina</em></strong>, lançado recentemente pelo<strong><em>Coral dos Coroinhas de Dom Bosco</em></strong> da Matriz do Pilar de São João del-Rei, para comemorar o quadragésimo aniversário de sua fundação.</p>
<p>A Associação dos Coroinhas de Dom Bosco foi criada pelo padre José Teixeira Pereira, auxiliado pela professora Irene Sacramento, tendo como pilares valorosos a educação, a piedade e a responsabilidade. Com atuação essencialmente religiosa, os coroinhas participam das liturgias, &#8220;acolitando&#8221; às mais diversas cerimônias da Catedral de Nossa Senhora do Pilar e &#8220;<em>louvando ao Senhor com o aprimoramento do canto litúrgico, principalmente o canto gregoriano</em>&#8220;. O canto dos Coroinhas é fundamental em diversas celebrações da Semana Santa de São João del-Rei, especialmente nos Ofícios de Trevas / Canto de Matinas e Laudes, Canto da Paixão e cerimônias vespertinas da Quinta Feira Santa.</p>
<p>Engana-se quem pensa que ser coroinha é coisa só de menino. Prova disto é que quase a metade dos setenta membros da Associação e Coral dos Coroinhas de Dom Bosco é constituída por homens adultos, muitos dos quais casados e pais de família. Como paralelamente à aprendizagem do cantochão os primeiros meninos receberam aulas de flauta doce, flauta transversal e violino, interessaram-se também pelo estudo da música, graduando-se nesta modalidade artística. São alguns deles que, hoje adultos, estão à frente do Coral dos Coroinhas e se dedicam ao ensino e à manutenção desta que é uma das mais antigas manifestações musicais: o canto gregoriano. A  eles São João del-Rei muito deve agradecer.</p>
<p>O CD <strong><em>Salve Regina </em></strong>pode ser adquirido na Casa Paroquial do Pilar &#8211; Rua Monsenhor Gustavo, em frente à Capela do Santíssimo Sacramento / Sacristia da Boa Morte da Matriz do Pilar. Informações sobre o disco e o Coral podem ser obtidas pelo telefone (32) 3371-2568.<br />
<strong>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</strong><br />
<strong><em>Fonte: Capa / encarte do CD Salve Regina</em></strong></p>
<p><strong><em>Texto original: <a href="http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2012/04/salve-regina-salve-sao-joao-del-rei.html">http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2012/04/salve-regina-salve-sao-joao-del-rei.html</a></em></strong></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>RESILIÊNCIA</title>
		<link>http://www.notaindependente.com.br/2012/04/resiliencia/</link>
		<comments>http://www.notaindependente.com.br/2012/04/resiliencia/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 19 Apr 2012 12:33:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rubem Leite]]></category>
		<category><![CDATA[Tiago Costa]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Rubem leite Ilustração Tiago Costa &#160; Obax anafisa. &#160; &#160; I &#160; Uma máquina deitada, sonolenta, na mesinha do canto espera em vão o seu dono. Ela quer acordar, quer atuar. Afinal, máquina parada não tem vida. Ela que já deu sua tinta se vê secar. Ela chora, sentindo-se inútil. Ela, que tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Rubem leite<br />
Ilustração Tiago Costa</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-508" title="Ilustra Nota Independente - 018" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/04/Ilustra-Nota-Independente-018-500x377.jpg" alt="" width="500" height="377" /></p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Obax anafisa.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">I</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Uma máquina deitada, sonolenta, na mesinha do canto espera em vão o seu dono. Ela quer acordar, quer atuar. Afinal, máquina parada não tem vida. Ela que já deu sua tinta se vê secar. Ela chora, sentindo-se inútil. Ela, que tem tanto potencial, que tanto fez, chora e chora. O útil ultrapassadamente inutilizado¹.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">II</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">Um rio</p>
<p style="text-align: center;">De águas calmas</p>
<p style="text-align: center;">Corre</p>
<p style="text-align: center;">Sem parar</p>
<p style="text-align: center;">E o rio</p>
<p style="text-align: center;">Nos deixa</p>
<p style="text-align: center;">Uma mensagem</p>
<p style="text-align: center;">Bonita, profunda, verdadeira.</p>
<p style="text-align: center;">“Seja como eu</p>
<p style="text-align: center;">Corro sem me cansar</p>
<p style="text-align: center;">Indo até meu objetivo final</p>
<p style="text-align: center;">E cada experiência</p>
<p style="text-align: center;">Não me faz retroceder,</p>
<p style="text-align: center;">Faz-me vencer.</p>
<p style="text-align: center;">Divido-me&#8230; transbordo-me&#8230; evaporo-me&#8230;</p>
<p style="text-align: center;">Venço!</p>
<p style="text-align: center;">E o que sou agora não é o que fui antes.</p>
<p style="text-align: center;">E o que sou agora não é o que serei depois”.</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">III</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">No cinzeiro as cinzas do cigarro que não fumo. Como é chato um cinzeiro virago que reproduz as cinzas de um cigarro varão. Um homem já não tem o direito de aquietar-se em seu lar sem se incomodar com cinzas nascedouras? E grande mistério: meu quarto e local onde escrevo – meu santuário – não é visitado por fumantes nem cinzeiro possui&#8230; como pode aparecer uma família de cigarro, cinzeiro e cinzas? Que é isso? Um MSC* invasor?</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">O bem-te-vi Tiago Costa – imagem das palavras.</p>
<p style="text-align: right;">O pirilampo Rubem Leite – palavras da imagem.</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Oi, você que me leu, muito obrigado por me acompanhar.</p>
<p style="text-align: right;">O Caderno de Ensaios III foi escrito do final de 1993 a meados de 1994 com o heterônimo Anthônio Raphaell. O primeiro texto original “Datilografia” foi escrito no dia 29 de dezembro; o segundo, “O Rio”, foi escrito 03 de fevereiro; e o terceiro texto original “Sem Resposta”, escrito no dia 06 de fevereiro. Reescrevi entre 13 e 18 de abril de 2012 com meu nome (Rubem). À semelhança dos cadernos I e II, este é também composto por exercícios que me permitiram tornar o que sou hoje. E, como graças a Deus, humildade não é um dos meus defeitos, atrevo a dizer que sou um bom samurai da palavra, como tem me chamado Thiago Domingues. Mas como meus leitores merecem o melhor, pego os textos que mais gostar, dou uma arrumada e compartilho com todos que me acharem dignos de ser desfrutado.</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Em banto, obax anafisa significam flores e pedras preciosas.</p>
<p style="text-align: right;">Os versos e a ilustração são nossas flores para você</p>
<p style="text-align: right;">e fazemos votos de que encontre neles pedras preciosas.</p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">¹ Cronto inspirado em Datilografia, de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa) <a href="http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/fernando-pessoa/datilografia.php">http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/fernando-pessoa/datilografia.php</a></p>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">* Movimento Sem Cigarro.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>OU DÁ OU DESCE &#8211; Cap 01</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Apr 2012 12:28:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Fernando Barreto]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Fernando Barreto Imagem Begê &#160; Capítulo 1 - Clube da Equina &#160; _ Se eu pudesse enfatizar o quanto é grande a minha mágoa, certamente ganharia o Nobel de Literatura! Qualquer pessoa que eu não tenha precisado conhecer pessoalmente, viva ou morta, é considerada por mim alguém com classe,  Só pelo fato de não ter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Fernando Barreto</p>
<h6 style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-503" title="rafe" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/04/rafe-500x296.jpg" alt="" width="500" height="296" />Imagem Begê</h6>
<p style="text-align: right;">&nbsp;</p>
<h2 style="text-align: center;"><span style="color: #800000;"><strong>Capítulo 1 - Clube da Equina</strong></span></h2>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">_ Se eu pudesse enfatizar o quanto é grande a minha mágoa, certamente ganharia o Nobel de Literatura! Qualquer pessoa que eu não tenha precisado conhecer pessoalmente, viva ou morta, é considerada por mim alguém com classe,  Só pelo fato de não ter aprontado nada comigo  a ponto de me fazer tomar conhecimento de sua existência. Nada é mais importante pra mim do que privacidade e um certo isolamento. O que vem em primeiro lugar não é a família, nem Deus e nem a maioria das outras coisas que as pessoas insistem em estabelecer como prioritárias. Eu não acredito em nada dessas merdas. Jogue mais água da torneira no feijão da humanidade e você também será Deus. Beber sozinho é coisa de alcoólatra? Eu gosto de beber sozinho, e tenho a plena convicção de que um grupo de bêbados é algo muito mais nocivo. Sua irmã é carente de atenção e foi convencida de que perder para a bebida a atenção de alguém é uma derrota insuportável. Eu estou apenas fazendo um comentário sobre uma situação que você me viu passar, caso contrário eu não tocaria no assunto e não é só porque ela é sua irmã. Eu não tenho irmã mas é fácil imaginar-se tendo uma. E o Braga? Sei que você não teve culpa, mas eu o conheci através de você. O que eu fiz pra ter como encosto um agitador cultural universitário? Ele trabalha aqui do lado de casa, vive colando lá de surpresa. Em dias de semana às vezes eu deixo o porteiro do meu prédio avisado para que diga ao Braga que eu não estou. Alguma vezes fui pego de surpresa encontrando-o quendo eu entrava ou saìa do prédio em momentos em que eu já havia esquecido que ele existia. Seus amigos me chamam de burguês, mas morando aqui não se tem qualquer privacidade. É um foco de vulnerabilidade coletiva. A falta de privacidade só favorece gentalha. &#8211; foi o que disse Brito para Galvão.</p>
<p style="text-align: justify;">( Brito disse isso porque ouviu de Vânia, irmã de Galvão, que quem gosta de beber sozinho é alcoólatra. Isso foi num domingo à tarde em que a garota apareceu de surpresa em seu apartamento quando Brito dormia.Sobre Vânia, uma belíssima mulata de 26 anos, falaremos um pouco mais adiante e também sobre o que há por trás dessa trama infeliz e bem brasileira. )</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">_ O problema mesmo é com a minha irmã. É uma ribeirinha sem classe e só quem tem irmã sabe o quanto é difícil ter que falar uma coisa dessa. Infelizmente eu vi que ela causou um desgaste gratuito na sua vida, mas você há de convir que isso já passou. Quanto ao Braga, eu não posso fazer nada. Você chegou a minha procura, ele estava lá e não havia como prevenir o encontro de vocês. Eu dou umas duras nele por muito menos do que as razões  que você tem para fazer o mesmo. Se eu fosse dar uma de legal com ele, aquele paquito montaria. Se ele surgisse na minha casa eu o mandaria embora tranquilamente. Ele compra minha maconha toda semana, mas quer companhia também, porque é muito carente de atenção. Não é exatamente um mau sujeito, você sabe. Pode se tornar inconveniente se não for alertado e a minha chateação com ele se deve ao fato de eu apenas não ter vontade de tê-lo por perto. Não acho que isso seja crueldade. &#8211; respondeu Galvão.</p>
<p style="text-align: justify;">_ É meio atrevido mesmo, mas o que me irrita é o fato dele ser um sambista indie. Duas coisas me irritam de uma maneira insuportável. Uma delas é quando ouço algum velho brasileiro ridículo falar que gostava de rock quando era jovem. Eles nunca dizem o porque de terem desistido, ou a razão que os fizeram mudar o gosto musical. Será que obrigoriamente eles precisam ouvir bossa nova quando destroçam os outros setores de suas vidas? Será que era só a dificuldade em conseguir informações culturais vindas de outros países? Esses velhos são zumbis, almas mortas em corpos flácidos. Seus sonhos eram equivocados e foram esmagados um a um. A outra coisa que me irrita demais são esses sambistas indies jovens que acham bonito dizer que ouvem o Cartola, mas que na verdade gostam dessa nova geração de sambistas jovens de apartamento, cheios de cuidados com o barulho que pode incomodar os vizinhos em suas tumbas. Gostam de dizer que ouvem Sonic Youth e Adoniran para parecerem &#8216;ecléticos&#8217;. Por essa e por outras, eu não tenho qualquer respeito por isso que chamam de viver em sociedade. Tem gente que sofre mais do que eu do ponto de vista material, mas eu sei que quando tivermos que reiniciar o modo de vida nesse planeta como se reinicia o funcionamento de um computador, todos seremos afetados de alguma forma. &#8211; disse Brito.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Eu também penso nesse tipo de coisa, mas não tenho esperanças de que esse dia chegue logo. Queria muito que acontecesse algo, mas não fico esperando tanto por isso. Seria um otimismo exagerado achar que ainda serei jovem quando esse dia chegar. E pior ainda seria a frustração em cada amanhecer antes desse dia chegar. Seria uma espera muito corrosiva. se é isso que nós temos, vamos de cabeça. Requer colhões, mas é  preciso combinar o cabelo com a estrada e olhar pra frente! &#8211; disse Galvão.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Eu não espero muito da vida. Quanto menos se espera dela, menos se tem a perder .A vida é como uma arara. Pode ser muito bonita, mas pode cagar na sua cabeça bem naquelas horas em que tudo parecia estar dando certo. Eu me sentia melhor quando era ingênuo o bastante pra ver alguma grandeza ou alguma virtude nos outros, ou pelo menos imaginá-la, mesmo que essa grandeza ou essa virtude não existisse. Sinceramente eu acho que sou um benfeitor de uma certa maneira, porque eu nunca apoiei nenhuma lesadice que me parecesse ridicula demais pra merecer o meu envolvimento. Hoje em dia gosto do fato de isso ter sido intuitivo, pois me acontece desde os tempos em que tenho as mais remotas lembranças da minha infância, os primeiros tempos na escola, algumas coisas que aconteciam na minha casa que pareciam bizarras mesmo pra um moleque muito pequeno. Minha família é bizonha. Eu já tenho 38 anos e me lembro de que quando meu pai tinha 48 era a antítese de tudo o que eu podia esperar da vida. Nessa época eu tinha 15. Eu sabia que não podia convencê-lo a mudar e sabia que a qualquer custo eu seria outro tipo de pessoa. E ele tinha 10 anos a mais do que eu tenho hoje&#8230; Infelizmente me ensinavam que se as contas da casa fossem pagas em dia você poderia fazer o que quisesse. Isso sempre me abalou profundamente. É claro que eu fazia ao contrário tudo o que me recomendavam, tanto em casa como na escola. Uma vez num show do Quiot Riot quando eu era adolescente, vi um professor jovem da minha época de segundo grau com uma camiseta branca em que letras pretas de forma diziam &#8216;viver é um problema&#8217; e essa é uma das poucas lembranças relevantes que tenho da época da escola. Meus pais nunca foram discretos como poderiam e deveriam ser. Teríamos uma qualidade de vida muito melhor se eles se preservassem. Para eles a única obrigação dos pais é pagar as contas de casa e madar os filhos pra escola. Gente assim deveria ser capada antes que pudesse ter filhos. Se eu tivesse seguido um por cento do que eles recomendavam, teria uma vida ainda mais difícil. Eu sei que você acha que a minha vida é sossegada, mas se um dia eu fosse escrever um livro sobre família, todos que lessesm iam pensar que eu estou forçando. Sou totalmente descrente nos valores familiares desde criança, porque sabia desde então que se aquilo que era pregado por eles era o certo, eu teria que ao menos não me envolver. E se tivesse alguma força, teria que me rebelar.  &#8211; disse Brito.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Se você fosse um pobre fodido com a família cheia de alcoólatras e nóias, aí talvez você tivesse mais noção de onde as coisas podem chegar. Aprender alguma coisa sobre a vida pode significar que está tarde demais pra lidar com a situação e quando se é pobre de verdade a coisa fica triste.. A minha família é pobre, cheia de primos e tios vagabundos, bêbados e eternamente desempregados. Tenho também dois primos que mergulharam de cabeça no crack. Um já morreu de tanto fumar pedra e o outro está devastando o que sobrou da família. Quando eu estava começando a ficar bastante preocupado com o que viria depois, aconteceu aquela desgraça com a minha mãe. Eu não queria ficar te dizendo que você é um playboy que vive com conforto e tempo de sobra pra reclamar, mas convenhamos, meu caro&#8230; &#8211; disse Galvão. (A mãe de Galvão foi morta ao ser atropelada no calçadão da Rua XV de Novembro, no centro de São Paulo, por uma daquelas bicicletas descontroladas que carregam galões de água. O sujeito perdeu o freio quase na esquina com a Rua Direita, de onde a mãe de Galvão apareceu, às sete e meia da manhã, quando o caos já estava instalado no centro de São Paulo, no início de mais um dia na cidade. O pai de Galvão havia morrido 4 meses antes, de complicações da diabetes, que foi agravada pelo alcoolismo.)</p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">Sérgio Galvão era aos 23 anos um jovem e divertido mulato que tomava conta dos carros estacionados numa ponte localizada na região da Avenida Paulista, mais exatamente atrás do Masp. Essa ponte naturalmente está lá até hoje e passa por cima da Avenida Nove de Julho. Quem a atravessava seguindo o fluxo dos carros tinha o Masp à esquerda e acima, e a Avenida 9 de Julho à direita e abaixo. Os carros estacionados ali são geralmente de pessoas que visitam os pacientes do Hospital Nove de Julho ou que trabalhavam na regão.</p>
<p style="text-align: justify;">Dono de um sorriso matreiro e uma ginga compassada, Galvão deslocava-se tranquilamente por entre os carros que paravam para estacionar sobre a ponte das segunda às sexta, quando cumprimentava cordial e alegremente cada um dos condutores que parassem ali. Era figura fácil também nos bares da Bela Vista quando escurecia. Vivia com a irmã Vãnia numa quitenete na Praça 14 Bis.</p>
<p style="text-align: justify;">Em alguns aspectos Galvão era invejado por José Ronaldo Brito, de 38 anos, que para alguns tinha tudo para ser feliz mas vivia insatisfeito.</p>
<p style="text-align: justify;">Brito tinha uma bússola moral própria. Era um tipo de playboy da Bela Vista, alguns traços de descendência árabe misturada à descendência de diferentes povos europeus. Tinha um metro e setenta e sete de altura, pouca tendência para aumentar seus 75 quilos, cabelo castanho escuro, grosso e sem sinais de calvície. A barba cerrada era feita duas vezes por semana, de modo que estava quase sempre com a barba por fazer. Seus pais viviam de renda. Não eram exatamente ricos, mas a família tinha dois bons apartamentos no mesmo prédio, na  Alameda Rio Claro, a menos de 200 metros da Avenida Paulista. O pai de Brito havia herdado de um tio um grande terreno em Vinhedo e o vendeu para a construção de um condomínio, e com esse dinheiro conseguiu comprar mais um apartamento no prédio onde viviam e deixar o restante rendendo. Brito era um solitário convicto e procurava não ser extravagante. Dirigia um Corsa vermelho de 2005, sem opcionais.</p>
<p style="text-align: justify;">Cada andar desse prédio em que viviam em São Paulo tinha dois apartamentos, sendo que um deles era frontal e virado para a Alameda Rio Claro e o outro virado para a Rua Pamplona. Os dois apartamentos da família de Brito eram no último andar, sendo o de Brito o apartamento frontal e o de seus pais o apartamento virado para os fundos. Na prática a coisa funcionava como se Brito e os pais vivessem na mesma casa, mas com Brito ocupando o quarto mais espaçoso. Naquele momento as relações familiares entre os Britos eram tranquilas, mas muitos atritos tinham ocorrido nos anos anteriores, especialmente quando a família ocupava somente um dos apartamentos, antes da venda do terreno no interior.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8220;Aqui na Bela Vista só tem gentalha. Essa gente não tem classe nehuma&#8221;. &#8211; era o que Brito nunca deixava de repetir a cada vez que entrava ou saía de seu prédio, estivesse ele sozinho ou acompanhado. Outra frase frequentemente repetida por Brito quando as coiss não aconteciam do jeito que el achava conveniente era &#8216;Esse planeta está todo cagado!&#8217;.</p>
<p style="text-align: justify;">Seu pai havia exercido um mandato de síndico, fato que gerou ásperos atritos entre ambos naquele período e nos primeiros meses da gestão do síndico que assumiu posteriormente, pois Brito alegava que a privacidade da família fora prejudicada para sempre desde então. Queixava-se de sua privacidade individual, alegando que seu apartamento era nada mais do que a extensão do apartamento de seus pais. Para ele, era na verdade como se fosse um bom quarto na mesma casa dos pais, e não uma unidade domiciliar idependente. Queixava-se do fato de os outros moradores cobrarem dele sobre atitudes e gastos efetuados por seu pai no período em que este foi síndico.</p>
<p style="text-align: justify;">Brito comprava uma maconha de boa qualidade fornecida por Galvão e passava suas tardes de chinelo em sua sacada, olhando de cima a antiga propriedade da família Matarazzo, localizada à frente de seu prédio, onde já funcionou um hospital e onde vez ou outra se agrupam mendigos da Bela Vista, até que fossem obrigados a dispersar. Um pouco mais adiante via-se a Avenida 9 de Julho. Brito ficava olhando, ouvindo música e fumando maconha.</p>
<p style="text-align: justify;">Brito e Galvão eram amigos, mas como é de se supor, havia entre eles uma barreira invisível e quase intransponível que tinha como base a obsessão de Brito por isolamento e privacidade. Galvão sabia muito mais sobre Brito do que o contrário.</p>
<p style="text-align: justify;">Conheceram-se num jogo do Juventus no estádio da Rua Javari, na Mooca em 2008. Tinham em comum a paixão pelo futebol das antigas e não suportavam a modernização do esporte como ela estava acontecendo. Toda a magia do semiamadorismo estava acabada para sempre. Gostavam de ver o jogo do alambrado, cuspindo nos bandeirinhas. Os jogos do Juventus sempre foram notórios pela presença de um público pequeno e antes de um jogo, na fila da bilheteria começaram a conversar quando Galvão soube conhecer aquele sujeito da Bela Vista.  Parecia suficientemente amigável e então começaram a conversar e descobriram que eram mesmo vizinhos.</p>
<p style="text-align: justify;">&#8230;</p>
<p style="text-align: justify;">A vida material de Brito era tão cômoda para os padrões normais da sociedade brasileira que até mesmo os problemas mais simples do cotidiano o perturbavam de tal modo que ele pensava haver uma conspiração contra ele, principalmente por parte de seus pais. O local onde moravam era caracterizado pela incessante valorização imobiliária, mas por outro lado havia ali uma altíssima densidade demográfica.</p>
<p style="text-align: justify;">Brito exercitava-se fazendo barras e flexões dentro do apartamento, e considerava um sacifício sair dali, fosse qual fosse a razão para essa necessidade. Geralmente era para buscar maconha com Galvão, e descia de chinelo, olhava as feições desalmadas das pessoas que andavam na região da Avenida Paulista, e isso o entristecia profundamente. Brito vivia imerso naquele sentimento contemporâneo de que o mundo acabaria logo e que todos à sua volta estavam fazendo um papel ridículo. Ele não sentia pena do povo e não sentia qualquer tipo de culpa por ter alguma tranquilidade na vida. Até porque o próprio Brito temperava essa tranquilidade com algum drama que ele imprimia à sua vida, estando sempre insatisfeito. Vivia enfatizando que sua tranquilidade se resumia ao campo material. E não chegava nem ao menos a ser rico, o que o limitava em algumas empreitadas, especialmente na área artística. Apenas não precisava sair para trabalhar. Precisava não ir à falência, precisava cuidar do patrimônio, e isso ele fazia. Ali onde morava ele se queixava do excesso de gente. Se estivesse numa fazenda, reclamaria de tédio e dos caipiras que habitassem o local.</p>
<p style="text-align: justify;">Às vezes ao voltar para casa depois de comprar sua maconha, punha-se a pensar como seria a vida de Galvão quando ele não estava nas redondezas. Brito pensava nisso porque sentia que sua vida era um livro aberto para as pessoas da vizinhança, ainda que não achasse que isso fosse positivo e na tentativa de preservar como segredo alguns detalhes de suia vida, ele se afastava da realidade dessas pessoas fisicamente próximas. Para Brito isso era muito bom na maior parte do tempo.</p>
<p style="text-align: justify;">E se o porteiro de seu prédio morasse num barraco não rebocado numa área ameaçada por deslizamentos? E todas as outras pessoas com as vidas destroçadas pela pobreza, pela ignorância e pela má distribuição, que sentiam cada segundo passar enquanto Brito ouvia rock alternativo e vadiava? Será que existia mesmo a tal &#8216;pobreza digna&#8217; de que tanto ouvia falar? Independente disso, sua vida também era quase insuportável, embora ele não quisesse outra. As propagandas de margarina eram mesmo uma farsa. Brito pensava e pensava e pensava e concluía todos os dias que aprender alguma coisa com a vida significa que é tarde demais para lidar com a nova informação.</p>
<p style="text-align: justify;">E fosse como fosse, ao longo da semana lá estava Galvão, sempre sorrindo, guardando carros, vendendo sua maconha cheirosa e caminhando sobre a ponte, com fones nos ouvidos, ouvindo Sly and the Family Stone, ou Funkadelic, ou Parliament, e sempre caminhava gingando no compasso da música.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Galva, você sabia que o Sly Stone está morando no carro dele? Perdeu a fortuna, a casa, os direitos autorais sobre as músicas e está com quase 70 anos&#8230; &#8211; disse Brito quando foi buscar fumo com Galvão.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Pois é&#8230; eu também sou preto e sei o que nós passamos. Ele é de outra geração, é de outro país, é muito mais famoso que eu e ainda assim sofremos de alguma forma com o maldito preconceito. &#8211; disse Galvão.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Você tem sofrido muito preconceito? &#8211; perguntou Brito.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Não é toda hora, porque hoje tento não me expor mais do que o necessário, mas saí da escola porque fui avacalhado por uma professora racista. Eu não era muito estudioso e não conseguia ficar muito tempo parado num banco escolar e numa prova eu estava com pressa de ir jogar bola e queria terminar logo. Perguntavam quem havia descoberto o avião e eu respondi que tinha sido Carlos Drummond de Andrade ao invés de responder Santos Dumont. Na semana seguinte a professora disse na frente de todos, a maioria brancos, que meu cérebro provavelmente estava tão chamuscado quanto a minha pele. &#8211; disse Galvão.</p>
<p style="text-align: justify;">_ Não há um só dia em que eu não sinta vergonha da minha condição de humano. Se eu fosse a um médico possivelmente eu seria diagnosticado como um depressivo. Mas não me sinto exatamente assim. Assumo minha bipolaridade; quando as coisas dão certo, fico de bom humor, e quando dá tudo errado, fico deprimido. Os homens grandiosos da história também estiveram sujeitos à condição humana. Muitas vezes bebiam, fumavam, se drogavam, mentiam, eram sexistas, mas souberam intervir de maneira coerente nos contextos de suas épocas. O mundo sempre foi uma merda. Isso não é uma novidade dos nossos tempos. &#8211; disse Brito.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">CONTINUA&#8230;</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Não é uma rua</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Apr 2012 11:08:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Marina Mazzoni]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto e fotos de Marina Mazzoni &#160; Não é uma rua, não é simplesmente a Rua Santo Antônio. É um caminho de Minas, que esbarra no Lenheiro. &#160; A Rua Santo Antônio em São João del Rei é um caminho cheio de expectativas. Sai da praça, escorre cheia de curvas, onde as paredes do casario [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto e fotos de Marina Mazzoni</p>
<p style="text-align: center;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong>Não é uma rua,</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>não é simplesmente a Rua Santo Antônio.</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>É um caminho de Minas, que esbarra no Lenheiro.</strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong><img class="alignnone size-medium wp-image-496" title="SAM_0001" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/04/SAM_0001-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /> <img class="alignnone size-medium wp-image-497" title="SAM_0002" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/04/SAM_0002-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /><br />
</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;">A Rua Santo Antônio em São João del Rei é um caminho cheio de expectativas.</p>
<p>Sai da praça, escorre cheia de curvas, onde as paredes do casario também se curvam.</p>
<p>Cheia de luzes e lampiões começa estreita, se alarga um pouquinho como a louvar a capela de Santo Antônio&#8230;</p>
<p>Segue um pouco reta, afina de novo.</p>
<p>Muda de face, se dirige à Serra do Lenheiro. Reduto da mãe do Ouro, serra de aguadas, de duchas de água intensa. Assim: pedra e ducha&#8230;</p>
<p>Continua até o Rio das Mortes, uma descoberta que nem exploração de bandeirante tardio.</p>
<p>E nesta rua tem a Banda, imponente e brilhante nos dourados e dobrados de seus instrumentos.</p>
<p>Esta rua me faz feliz, perdida nos seus ecos eternos.</p>
<p>Trombone e pratos de metal, sons ou ecos, ecos do Rio das Mortes.</p>
<p><img class="aligncenter size-large wp-image-498" title="SAM_0003" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/04/SAM_0003-500x375.jpg" alt="" width="500" height="375" /></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
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		<title>São João del-Rei tem Atitude Cultural</title>
		<link>http://www.notaindependente.com.br/2012/04/sao-joao-del-rei-tem-atitude-cultural/</link>
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		<pubDate>Thu, 12 Apr 2012 11:44:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Nota Independente</dc:creator>
				<category><![CDATA[Emílio da Costa]]></category>

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		<description><![CDATA[Texto de Emílio da Costa Atitude Cultural é coisa que toda pessoa deve ter. No caso de cidades, principalmente aquelas que possuem riquezas históricas, ter atitudes culturais é fundamental. São João del-Rei tem esta felicidade: uma organização não-governamental destinada exclusivamente a promover, divulgar e apoiar realizações culturais sustentáveis, que contribuam para a valorização do patrimônio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">Texto de Emílio da Costa</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-large wp-image-491" title="ATITUDE CULTURAL 2012" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/04/ATITUDE-CULTURAL-2012-500x377.jpg" alt="" width="500" height="377" /></p>
<div>Atitude Cultural é coisa que toda pessoa deve ter. No caso de cidades, principalmente aquelas que possuem riquezas históricas, ter atitudes culturais é fundamental. São João del-Rei tem esta felicidade: uma organização não-governamental destinada exclusivamente a promover, divulgar e apoiar realizações culturais sustentáveis, que contribuam para a valorização do patrimônio material e imaterial são-joanense. É a Atitude Cultural.</div>
<div></div>
<div>Seus projetos de maior visibilidade são aqueles que ocorrem em períodos comemorativos de grande expressão na cidade, como fim de ano, carnaval e Semana Santa. Para cada um deles a Atitude Cultural desenvolve anualmente projetos especiais, que vão da iluminação de Natal, realização de shows, exposições físicas e virtuais, criação e lançamento de agendas, cartazes e DVDs, encontro de folias de reis e pastorinhas, Carnaval de Antigamente, tapetes de rua, encontro de samba, seresta e chorinho e um sem-fim de atividades. Semanalmente a Atitude Cultural divulga por e-mail uma agenda de imperdíveis eventos artísticos e culturais.</div>
<div></div>
<div>Além disso, no dia a dia ou em ocasiões especiais, a Atitude Cultural incentiva e apoia artesãos, artistas e corporações vinculadas à arte e à cultura são-joanense, contribuindo das mais variadas formas para seu resgate, fortalecimento, articulação e valorização.</div>
<div></div>
<div>Contudo, menos visível, a coluna vertebral da Atitude Cultural é o portal São João del-Rei Transparente (<a href="http://www.saojoaodelreitransparente.com.br/"><strong><em>http://www.saojoaodelreitransparente.com.br/</em></strong></a>). Navegando nele, internautas de todo o mundo encontram informações completas, diversificadas e preciosas sobre São João del-Rei. Banco de imagens, fontes de consulta e pesquisa, artigos, monografias, documentos fotográficos, estudos, endereços, contatos, cronogramas &#8211; enfim tudo o que se refere ao vasto e rico patrimônio da Terra da Música, onde os sinos falam e todo mundo entende.</div>
<div></div>
<div>Fruto de suas pesquisas, documentação e realizações, a Atitude Cultural gera produtos como cartazes e agendas, que são disponibilizados para instituições artístico-culturais são-joanenses comercializarem, a preços simbólicos, para obtenção de recursos que auxiliem seu próprio funcionamento.</div>
<div></div>
<div>Da música ao folclore. Da arte barroca à expressão popular. Das artes plásticas à gastronomia. Dos bordados à internet. A atuação da Atitude Cultural é multidisciplinar, diversa, plural, transversal e bem pode ser sintetizada na expressão &#8220;<strong><em>unidade na diversidade</em></strong>&#8220;.</div>
<div></div>
<div>Ao mesmo tempo em que têm forte característica preservacionista, seguindo a vertente da memória, as ações implementadas pela Atitude Cultural incentivam o desenvolvimento de novos talentos e o exercício de novas linguagens. Isto muito bem se vê nos tapetes processionais de rua confeccionados com areia, serragem, sementes e flores que decoraram o Largo de São Francisco e a Rua da Prata de São João del-Rei na Semana Santa de 2012, a exemplo do detalhe retratado abaixo.</div>
<div></div>
<div></div>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-492" title="TAPETE SAO FRANCISCO 2012" src="http://www.notaindependente.com.br/wp-content/uploads/2012/04/TAPETE-SAO-FRANCISCO-2012.jpg" alt="" width="370" height="267" /></p>
<h5 style="text-align: center;"><strong><em>Medalhão criado e executado pelo artista Ugo Agostini Haddad</em></strong></h5>
<h6 style="text-align: center;"><strong><em>Texto original: <a href="http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2012/04/sao-joao-del-rei-tem-atitude-cultural.html">http://diretodesaojoaodelrei.blogspot.com.br/2012/04/sao-joao-del-rei-tem-atitude-cultural.html</a></em></strong></h6>
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