ACORDANDO ENQUANTO É TEMPO - Parte II
por Luiz Lyrio
Quando o Capitalismo triunfou sobre a União Soviética e seus “satélites”, chegou-se a prever a imposição de uma nova “Pax Romana” no “mundo globalizado”. Chegou-se a falar até em “fim da história”. Segundo alguns historiadores, havíamos chegado ao sistema perfeito. Mas não foi preciso muito tempo para se constatar que os caminhos futuros do Homem seriam outros. Adormecidas há décadas, fontes de ódio entre irmãos despertaram com fúria redobrada. Desavenças religiosas, diferenças étnicas, brigas pessoais pelo poder, disputas de território, motivos torpes e absurdos, abafados pelo totalitarismo vigente no bloco soviético e esquecidos pelos revolucionários que lutavam nas guerras pelo Socialismo, causaram as novas carnificinas do final do século XX e do início do século XXI. Rios de sangue continuaram a correr no mundo e, como se tivéssemos retornado à Idade Média, a partir do fatídico 11 de setembro de 2001, a Humanidade passou a reviver os embates entre cristãos e muçulmanos, e hordas de terroristas e bandidos de ambos os lados, em uma carnificina sem precedente na História da Humanidade, passaram a atacar, pilhar, matar, explodir e queimar o cidadão comum.
Enquanto essas desgraças ocorriam, embriagadas pelo consumismo e pelo individualismo, as populações das nações ditas democráticas do mundo encontraram-se impotentes até mesmo para protestar contra a corrupção aberta e descontrolada que contaminava a maioria dos governos. Concomitantemente a isso, cresceram no mundo as redes de pedofilia e o numero alarmante de crianças e adolescentes que se prostituíam. E, para agravar ainda mais a situação do “mundo livre”, os mais agressivos e rebeldes, dentre os excluídos, passaram a formar seus bandos e, cada dia mais organizados, capitalizados e bem armados, declararam guerra ao mundo. Hoje, qualquer estudo, que vise decifrar a movimentação financeira nas grandes economias capitalistas, está fadado a repercutir dados inverídicos, já que não levará em conta os bilhões de dólares envolvidos em atividade ilícitas como o tráfico de drogas e o contrabando.
Para piorar as coisas, os reis da ganância no Planeta emporcalharam nosso ar, enlouqueceram nosso clima e, num curtíssimo prazo, vão inviabilizar a sobrevivência da Humanidade. Cientistas sérios vêm tentando alertar o mundo, mas ninguém os ouve. Estão todos hipnotizados pelo galopante e surpreendente desenvolvimento tecnológico do “admirável mundo novo” onde vivemos. Estão todos ocupados demais enchendo suas mentes de bobagens, diante de seus televisores e computadores, para conseguirem enxergar a realidade do mundo à sua volta.
Diante do terrível quadro que se apresenta, o homem do século XXI terá muitos desafios pela frente e terá que enfrentá-los com muita coragem e com a mente muito aberta. A propaganda ideológica, seja ela de direita ou de esquerda, num futuro muito próximo, não encontrará mais eco em nenhuma boca responsável que habitar este Planeta. Mais importante do que saber se o Comunismo ou o Capitalismo sobreviverão nos próximos anos, será lutar pela sobrevivência digna do ser humano na face da Terra.
Luiz Lyrio - Professor de História - Autor de NOS IDOS DE 68