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BRINCADEIRA DE BOI

por Claudina Abrantes, Geraldo Valentin e Rubem Leite

Primeiro mapeamento feito na Região Metropolitana do Vale do Aço sobre Cultura Popular.
 
Entrevistadores: Claudina Abrantes, Geraldo Valentin e Rubem Leite.
Transcrição: Rubem Leite.
Entrevistados: Sebastião Bernardo de Oliveira (38 anos)
                            José Cândido da Silva, conhecido por Zé Pedro (86 anos)
Local: Em Belmonte, Distrito de Açucena – 30-3-08
 
 
Entrevistadores – Qual é o nome do Boi? E o que é a Festa do Boi para você?


Sebastião

– O Bumba Meu Boi ou Boi Bumbá é uma brincadeira centenária. É uma brincadeira descartável, pois acabou a Festa ele desmancha. Seu material é taquara com a chita mais manchada que tiver, e a cabeça do Boi é de verdade e ela foi usada por uns dez anos, mas agora ela estragou de vez.

Entrevistadores – Quem faz o Boi? Qual o nome que vocês dão para quem o faz?

Sebastião – Quem faz o Boi não pode ser qualquer um. Tem que saber dançar. Não temos nome para que o faz, só dizemos que vai fazer o Boi.

Entrevistadores – Quais são as personagens da Festa?

Sebastião – De dois a quatro rapazes se vestem de Veio e Veia (todos de máscaras de borracha) e sua função é proteger o Boi. Têm também o Puxador e o Tocador.

Entrevistadores – Quais são os instrumentos musicais? Como é a música? Quem faz os versos?

Sebastião – Um sanfoneiro, um violeiro, um pandeiro e dois batedores de caixa. Os versos são geralmente criados na hora e pode ser um defeito do Boi. Por exemplo, se ele é feio.

Entrevistadores – Quem participa da Brincadeira?

Sebastião – O Padre Reginaldo muito incentivou, mas os crentes não brincam. Só os católicos. Mas praticamente toda a comunidade brinca.

Entrevistadores – Quando acontece a Brincadeira?

Sebastião – Tem o Judas na 6ª Feira da Paixão. Sai do Córrego da Pedra, uma comunidade com umas 80 pessoas aqui em Belmonte. A gente ajuda eles e eles nos ajudam. A Brincadeira do Boi é no Sábado de Aleluia. Umas 500 pessoas participam da Festa. A gente sai daqui e vai para Açucena e volta.
 
Tento não deixar a acabar a cultura. Fiquei decepcionado quando cheguei de Portugal e as pessoas não queriam fazer. Aí arranjei um rapaz neto do antigo sanfoneiro que tinha poucas maldades na sanfona, mas que tocou a noite toda. Ano passado trouxe dois sanfoneiros de fora e esse ano a própria comunidade se ofereceu. Ano que vem, não sei, mas se Deus quiser vai ter e não pára mais”.
(Sebastião Bernardo de Oliveira).
 
Entrevistadores – Quem começou a Festa?
Zé Pedro – Quando nasci já falavam do Boi.
Entrevistadores – Como era o Boi?
Zé Pedro – Pegavam umas taquara, uma chita, uma cabeça de boi, uns instrumentos e fizeram o Boi e a Festa. Tinha até reco-reco.
Entrevistadores – Como era a Festa?
Zé Pedro – Antigamente quem fazia o Boi usava máscara e hoje pinta o rosto. O Boi, os Tocador, o Puxador, o Veio e a Veia faziam máscara de papelão, punham no rosto e com carvão faziam os oio, a boca e o nariz.

 

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