.: NI :.

INTERDITAR O EDITADO

por Rubem Leite

14 a 16 de maio de 2009.
Rubem Leite.
Texto embasado na Oficina de Documentário de Joel Pazzine, mas de minha inteira responsabilidade.

 

O título é meu pensamento sobre o jornalismo e por falar em jornalismo... jornalismo vende imagens. Imagens que não têm importância... Tanto que elas são de “fundo”, de “abertura”. O importante são as palavras. Palavras de uma realidade intocável baseada em fatos reais, mas toda estória tem história e toda história tem estória. Personagens podem ser irreais, imaginários, mas a estória é sempre sobre a história de vida do autor. E isso já é cinema. E o que é cinema senão cachoeira, como disse Humberto Mauro numa referência ?à vontade dos coroneis, donos de terra, de terem suas cachoeiras filmadas. E aí o cimema e o jornalismo se confudem nos confundindo já que som e verbo são diferentes. No cimema, som é ruído de visualização de uma paisagem. E verbo é oralidade. Já que estamos falando de sons, imagens, verbo, estórias e etc qual é a imagem que a palavra “documentário lhe dá? Para mim, Rubem, documentário é “aberto a poucos”. Outros, durante a discussão, se lembraram de RG, CPF. Comumente nos documentários há depoimentos, que é um termo usado na polícia, o que intimida o público. Lembramos também da palavra resgate, que lembra o bombeiro que resgata o corpo como alguém resgata a memória... Também é comum o registro, que lembra cartório ou o controle d’água (registro no banheiro). Assim, segundo tudo isso, documentário seria algo que embota, impede reflexionar, pois rege o que devemos pensar.

Para os poetas nomeclaturas têm significados que transcendem simples denominações. Está me entendo? Creio que não só no dicionário, mas também nas criações, tema vem depois do poema. Ou seja, o método, o como fazer vale mais do que “o que/do que vamos falar” que muitos nos impõe. Escrever é buscar fora o que está dentro. Escrever aqui representa pintar, fazer filme e etc.

Enfim, penso que, voltando ao início, mediocridade (não só etmologicamente) tem origem na mídia. Moral e ética são diferentes. Ética é filha da estética e pagar um funcionário, pagar o cachê do artista (também os poetas) será ser ético? Não! Isso é ter moral. E tem muitos que pensam que ser documentárista é ser bem intencionado. Há quem acredite, inclusive, que para ser bom documentarista basta ser educado (gentil), nem precisa de talento. Por que não? Não tem gente que acha que o pessoal da dança é guei, pessoal do teatro é “viciado”, poeta é louco sem nem onde cair morto?

 

O que sei é que abunda mediocre. E não sei o que amanhã eu escreveria sobre isso.

 

voltar